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Montemor-o-Velho: Ereira arrisca ficar isolada pela água

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 03-02-2026

Imagem: PAULO NOVAIS/ LUSA

A povoação de Ereira, na margem direita do Rio Mondego, junto a Montemor-o-Velho, corre o risco de ficar isolada, ao final da tarde de hoje, face à subida do nível das águas, assumiram as autoridades locais.

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A reportagem da agência Lusa constatou que na povoação, que fica entre o canal central do rio Mondego e o chamado leito abandonado, a água nos campos em redor subiu cerca de um metro de altura, desde a manhã de segunda-feira, e chegou à estrada fronteira ao largo da igreja, que, por sua vez, serve de ligação a Montemor-o-Velho (para nordeste) e Verride (para sul).

A circulação naquela estrada, que se mantinha aberta e alvo de acompanhamento próximo por meios dos bombeiros, fazia-se, ao início da tarde de hoje, com cuidados redobrados, já com água no asfalto, em ambas as vias. O acesso é o único que resta à freguesia de 650 habitantes, já que a ligação à antiga estrada nacional 111 e nó da autoestrada A14 está vedado, também pela subida das águas, desde a semana passada.

Ouvido pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia da Ereira, Nelson Carvalho admitiu que existe a preocupação e o risco de a aldeia ficar isolada nas próximas horas.

“Estava ponderado, estava previsto, tínhamos noção que com a subida da água pudesse acontecer, felizmente está a acontecer tudo de forma controlável”, argumentou, numa alusão ao tempo que a população tem tido para se preparar para uma eventual cheia, bem como o acompanhamento de proximidade por parte da Proteção Civil, bombeiros e fuzileiros da Marinha.

“Conseguimos ter janelas temporais para tomar decisões e ir agindo na proteção de bens e pessoas, que é o mais importante”, observou Nelson Carvalho.

Na aldeia, junto à igreja e ao parque de lazer, já totalmente submerso, o autarca conversou, por alguns minutos, com o comandante dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, Joaquim Carraco, que ali se deslocou, em ação de reconhecimento operacional, com duas viaturas. Pediu-lhe que, na medida do possível, garantindo as condições de segurança, o acesso por estrada fosse mantido transitável, até para que os moradores que trabalham fora pudessem regressar as suas casas.

PAULO NOVAIS/ LUSA

Joaquim Carraco, por seu turno, indicou que, ao final da tarde de hoje, será destacada para a Ereira uma equipa da Força Especial de Bombeiros e que os fuzileiros da Marinha têm já um bote no rio para qualquer eventualidade no apoio às populações.

Numa das zonas mais baixas da aldeia, virada para os campos agrícolas – por estes dias um imenso lago – que se estendem até à freguesia de Maiorca, já no concelho da Figueira da Foz, Sérgio Martinho está no exterior da sua casa, a recordar a grande cheia de há 25 anos, em 2001 (quando as margens do Mondego canalizado partiram em 12 locais) e a notar que a água agora existente nos campos só é comparável com o que sucedeu nessa altura.

Por outro lado, o morador olhou para as operações de apoio por parte das autoridades, ao contrário de outros tempos em que a cheia chegou de surpresa, notando que “essa tranquilidade [dada à população] é necessária”.

“Eles [as autoridades] este ano estão a fazer as coisas diferentes: mais no terreno, mais atentos, e, coisa que nunca aconteceu, os três presidentes de Câmara – Soure, Montemor-o-Velho e Coimbra – reunirem-se dia a dia, juntamente com a Proteção Civil – é uma mais-valia.

No entanto, no seu caso concreto, apesar da tranquilidade aparente, Sérgio Martinho sabe que se a água subir, a sua moradia será das primeiras a ser afetada.

Em Montemor-o-Velho, junto à estrada para Alfarelos, escondida pela subida da água que corre no chamado leito abandonado do Mondego, o pescador desportivo Mário Matos teve um dia de sorte: lançou o isco às águas alterosas e saiu-lhe na ‘rifa’ um barbo com alguns quilos e destino marcado, a frigideira lá de casa.

“Barbo em janeiro sabe melhor do que carneiro”, exclamou António Carmaneiro, ao olhar para o futuro pitéu, pescado pelo amigo.