O presidente executivo (CEO) da Brisa, António Pires de Lima, revelou hoje que a concessionária irá comparticipar em 30% o custo de isenção de portagens em zonas afetadas pelo mau tempo, decidido pelo Governo.
“O Governo entrou em contacto connosco comunicando os troços que gostaria de isentar de portagens de hoje à meia-noite e durante os próximos oito dias e solicitou também este apoio por parte do Grupo Brisa, das nossas várias concessões, a BCR, a Brisal, a Autoestradas do Atlântico e as Autoestradas do Litoral Oeste”, referiu, indicando que o grupo, muito além daquilo que são as suas “obrigações do contrato de concessão”, acedeu “a suportar 30% do custo desta isenção”.
“A Brisa vai fazer um esforço relevante, que estimamos pode oscilar entre os 300 e 500 mil euros, nesta decisão política que nos ultrapassa, mas com a qual queremos mostrar também a nossa solidariedade”, destacou Pires de Lima.
O CEO da Brisa disse ainda que, como os troços foram comunicados “muito recentemente”, a empresa não dispõe do “valor exato” do que irá custar ao Estado.
Pires de Lima deixou ainda “uma nota de enorme solidariedade para com todas as pessoas e todas as famílias que têm vindo a ser afetadas”, salientando há “160 famílias, pessoas que trabalham no Grupo Brisa e que ficaram também sem parte dos seus haveres e com problemas nas suas casas”.
O grupo tem “mais de 200 operacionais vindos de diferentes regiões do país concentrados em manter as nossas autoestradas, apesar da adversidade climatérica, funcionais, acessíveis e em segurança”, acrescentou.
As isenções de portagens, durante uma semana, para facilitar a mobilidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin abrangem quatro troços com origem e destino em nós das autoestradas 8, 17, 14 e 19, esclareceu hoje o Governo.
A medida terá início às 00:00 de quarta-feira e durará até às 24:00 de 10 de fevereiro, terça-feira, dois dias após a conclusão da declaração da situação de calamidade, acrescentou o Ministério das Infraestruturas e da Habitação (MIH).
Numa nota, o MIH indicou que decidiu isentar todo o tráfego que tenha origem ou destino na autoestrada 8 (A8), entre o nó de Valado de Frades e o nó de Leiria Nascente, na A17, entre o nó da A8 e o nó de Mira, na A14, entre Santa Eulália e o Nó de Ançã, e na A19, entre o Nó de Azoia e o Nó de São Jorge.
“O tráfego que atravesse as autoestradas entre os nós acima referidos não será isentado”, esclareceu o Governo, destacando que a medida pretende “apoiar a deslocação de materiais e de voluntários para estas regiões do país”.
Na nota, o Governo salientou a “rápida operacionalização da medida” por parte das concessionárias e agradeceu à Brisa, Autoestradas do Atlântico, Brisal e IP a disponibilidade “para acomodar parte dos custos desta isenção”.
O primeiro-ministro anunciou hoje de manhã a isenção de portagens durante uma semana nas zonas afetadas pela depressão Kristin, durante uma visita a uma empresa de Pombal.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.