Região

Em Vila Nova de Anços o pão ficou por entregar e uma empresa vai fechar

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 01-02-2026

Imagem: Paulo novais Lusa

Pelo menos cinco instituições sociais do concelho de Soure, Coimbra, ficaram hoje sem pão fresco porque a padaria que as abastece em Vila Nova de Anços ficou sem luz na sexta-feira.

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Nesta freguesia do concelho de Soure há algumas casas destelhadas, mas o principal dano foi numa empresa de materiais de construção e loiças, como para casas de banho, cujo armazém ficou totalmente destruído pelo vento na quarta-feira de madrugada.

Hoje, cinco dias depois da Kristin, ainda só há uma rede de telemóvel a funcionar em pleno na Vila Nova de Anços, que se prepara para ser ainda hoje de manhã abastecida por água, pelos Bombeiros Voluntários de Soure, disse à Lusa Ricardo Simões desta instituição.

Emília Belém tem 59 anos e uma empresa familiar, com o marido e um dos três filhos, cujo armazém sofreu danos muito significativos, que justificam o fim do negócio.

“Ficámos sem nada, temos um prejuízo de mais de 500 mil euros” contou à agência Lusa, adiantando que tinha já material para entregar que “ficou todo desfeito”.

“Fomos das empresas mais afetadas do concelho”, referiu Emília Belém que disse estar “sem forças” para reerguer a empresa Vilagrês.

Em 2010, a empresa que Emília tinha entrou em insolvência, porque, com a justificação da crise, os clientes ficaram a dever cerca de um milhão de euros.

Conseguiu abrir uma nova empresa e recuperar, mas sempre com muito trabalho.

Ao lado do armazém tinha a sua casa, de onde teve agora de sair por causa do risco de cheia.

Vila Nova de Anços está muito próximo do rio Mondego.

Fernando Ramos é o proprietário da padaria que hoje não conseguiu entregar pão em pelo menos cinco instituições do concelho e que abastece diariamente.

A luz só chegou de manhã, mas não havia água. Uma interrupção, porque no próprio dia do temporal, tiveram tudo, menos comunicações e ainda só tem uma rede móvel estável.

O café tem sido desde a manhã de quarta-feira o “sítio onde as pessoas descarregam as suas queixas”, contou à Lusa Fernando Ramos.

Há muitas localidades sem luz no concelho, disse, realçando contudo o trabalho feito pela câmara, proteção civil, GNR e bombeiros.

Duas horas depois do temporal, que fez derrubar telhas, barracões e árvores, já as vias principais da freguesia estavam desobstruídas, lembrou.

As cheia começam a ser agora o assunto. Vêm aí uma noite muito chuvosa.

E a busca por telhas continua. Por exemplo, o Centro Social de Alfarelos escreve no facebbok: “Pedimos a colaboração de quem tenha ou saiba onde podemos encontrar estas telhas (a publicação tem uma fotografia com o tipo de telha). São telhas necessárias para o telhado da creche”.

A Câmara cancelou hoje a feira semanal que se realiza às segundas-feiras na vila de Soure, onde ainda há gruas erguidas a reparar telhados, árvores caídas, um campo de futebol sem muros e muita gente preocupada.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. Este sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumenta