O presidente da Câmara de Soure disse hoje que a sua maior preocupação é a situação de cheia no concelho e o risco de se agravar, numa altura em que toda a vila já tem eletricidade e água.
Rui Fernandes referiu à agência Lusa que quase 90% do concelho já tem água, que ainda há quatro mil clientes domésticos sem eletricidade e que só há uma rede fixa a funcionar, três dias depois da passagem da depressão Kristin.
Desde quarta-feira que todas as escolas do concelho estão fechadas por falta de água, estimando o presidente da Câmara que possam reabrir na segunda-feira.
O autarca realçou à Lusa que o concelho continua em situação de emergência devido às cheias, que dificultam inclusivamente a recuperação do abastecimento da água e luz.
“Enquanto os outros concelhos já estão numa fase de recuperação, Soure e Montemor-o-Velho ainda são concelhos ainda na fase emergencial”, explicou.
“Há um cenário muito preocupante de cheia. O centro histórico está inundado, com previsão de aumento dos leitos de cheia” que se manterá no fim de semana e que pode piorar a partir de segunda-feira, nomeadamente devido à previsão de chuva extrema”, referiu o autarca eleito em outubro de 2025 pelo movimento independente Novo Ciclo.
Sobre o funcionamento do concelho logo a seguir ao temporal, Rui Fernandes disse à Lusa que o centro de saúde de Soure nunca deixou de funcionar, bem como as farmácias e as Instituições Particulares de Solidariedade Social, que estão a ser abastecidas de água e luz.
Face à falta de comunicações, o presidente da Câmara e a sua equipa mudaram-se para as instalações da proteção civil de Soure, onde há um ponto de ligação com a rede de satélite StarLink, uma vez que também a rede SIRESP apresentou falhas.
Questionado sobre os prejuízos provocados pelo mau tempo que trouxe ventos extremos e o aumento do leito de cheia dos rios Arunca e Anços, que se juntam na vila de Soure, Rui Fernandes disse que não tem nenhum funcionário a fazer balanços ou a contabilizar prejuízos.
“As instruções para os meus homens são emergência, emergência, emergência. Ninguém para, ninguém dorme enquanto não houver água e luz em todo o lado”, disse.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.