Região

“Estamos sozinhos”! Presidente da Câmara de Penela exige apoio

Notícias de Coimbra com Lusa | 37 minutos atrás em 30-01-2026

 O presidente da Câmara de Penela queixou-se hoje de estar sozinho na resposta às populações, considerou que o município se está a “substituir a tudo” e exigiu apoio humano e máquinas, numa altura em que chegam os primeiros pedidos de realojamento.

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“Estamos sozinhos. Tivemos apoio da Comunidade Intermunicipal, da autoridade distrital, mas é muito reduzida para aquilo que são as nossas necessidades. E a nossa população está a ficar extremamente ansiosa porque não tem condições condignas para estar nas suas habitações”, disse Eduardo Nogueira Santos aos jornalistas, à saída de uma reunião entre autarcas da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa com o ministro da Coesão Territorial, Castro Almeida.

Segundo o presidente da Câmara de Penela, há habitantes do concelho sem eletricidade e sem abastecimento de água, e isto “é voltar muitos anos ao passado e estar numa situação sem condições”.

“O sentimento que me assola é de solidão. Estamos sozinhos no território e precisamos de apoio”, lamentou, garantindo que não irá baixar os braços.

A depressão Kristin causou prejuízos “muito elevados” em edifícios municipais e num “número muito significativo de casas particulares”, de acordo com o autarca, que considerou que se está a meio do problema.

“As pessoas quiseram ficar em casa, não quiserem sair dos seus alojamentos, mas agora continuam ainda sem luz elétrica e com chuva dentro de casa, estão em sofrimento, em agonia. E olham para a Câmara como resposta para todos os seus problemas e a nossa capacidade é limitada, os nossos recursos são finitos”, indicou.

Além das casas, o tecido empresarial “foi muito afetado” pela passagem da depressão Kristin, assim como equipamentos municipais, como os Paços do Concelho, a biblioteca, ETP Sicó, o Museu do Rabaçal e as escolas.

Na escola sede do Agrupamento de Penela, os trabalhos vão prosseguir no fim de semana para tentar que reabra na segunda-feira.

“Neste momento, ainda não temos certeza”, acrescentou.

Para o autarca, é preciso repor a energia elétrica e o abastecimento de água, mas o concelho precisa de outros apoios, entre eles de maquinaria.

“Acima de tudo, precisamos de apoio, humano e de máquinas que nos possma também ajudar a mitigar os problemas nos edifícios públicos, mas também nas casas particulares, porque as pessoas vão estar muitos meses com chuva dentro de casa e não vão ter condições para viver desta maneira”, destacou.

O presidente alertou ainda para o facto de que há previsão de chuva e vento para os próximos dias e que “é muito expectável que possa haver graves problemas ainda no futuro”.

“Precisamos de ter o máximo de pessoas no terreno a procurar dar resposta para que as pessoas possam retomar uma vida com alguma normalidade. E, para isso, primeiro, a eletricidade é fundamental. E a água, depois. É preciso corrigir estes problemas que existem nas casas das pessoas”, assinalou.

A Câmara Municipal começou hoje a receber os primeiros pedidos de realojamento, sendo que o presidente garante ter “as condições possíveis para realojar as pessoas com dignidade”.

Os balneários da Piscina Municipal estão abertos para banhos.

“Estamo-nos a substituir a tudo e com uma estrutura finita, mas estamos a tentar chegar a todo o lado e a fazer crescer os braços deste polvo que é a Proteção Civil Municipal do concelho”, concluiu.