O Sexo e a Cidade

KRISTIN-1| METROBUS-0: PARECE QUE ALGUÉM NÃO PAGOU A LUZ…

O SEXO E A CIDADE - Opinião | Satírico, Sarcástico e Humorístico | 1 hora atrás em 30-01-2026

Há uma situação a incomodar o Sexo e a Cidade, e não tem nada a ver com relações complicadas ou dramas amorosos, mas tudo a ver com transportes públicos, tempestades e uma paciência que já vai em modo sobrevivência.

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Como é do conhecimento geral, o MetroBus só está em funcionamento há alguns meses… mas parece que já tem anos em cima. Bastou a depressão Kristin chegar com toda a força para acabar, num instante, com todos os planos que a Metro Mondego tinha para enfrentar as chamadas “mini tempestades”.

Recorde-se que a semana passada terminou com o troço interrompido entre a Lousã e Serpins, devido à queda de um talude que, pelos vistos, não mereceu grande atenção quando se andava a reunir as condições necessárias e seguras para o metro começar a circular. Um pormenor geológico, aparentemente irrelevante até deixar de o ser.

Como se não bastasse, chegou Kristin e deixou várias zonas junto à linha sem eletricidade. É neste momento que o Metro Mondego entra oficialmente em colapso. Segundo João Marrana, presidente da empresa, o regresso à normalidade pode demorar “horas, mas também dias”, uma previsão vaga o suficiente para manter os utilizadores num estado permanente de suspense.

Perante o cenário, alguém teve uma ideia brilhante: criar serviços alternativos. Na prática, isso traduziu-se em colocar toda a gente de Serpins, Lousã e Miranda do Corvo dentro de um autocarro e levá-la até ao Sobral de Ceira. Simples, direto e, supostamente, funcional.

O Sexo e a Cidade viu o resultado esta manhã, 30 de janeiro: autocarros atrasados, cheios e várias pessoas a fazer a viagem de pé. Uma experiência imersiva de mobilidade, dir-se-ia. Entretanto, do Sobral de Ceira até à Portagem, não se passa rigorosamente nada. Tudo continua a circular como nos outros dias, como se a tempestade tivesse decidido respeitar limites invisíveis.

No fim, sobra a conclusão do costume: coitadas das periferias. São sempre as primeiras a ficar apeadas, as primeiras a adaptar-se e as últimas a serem tidas em conta. No Metro Mondego, a modernidade pode ser recente, mas as desgraças das periferias já são um clássico.