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 Cruz Vermelha pede ao mundo que preste atenção a Gaza

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 30-01-2026

Imagem: MAHMUD HAMS / AFP

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) defendeu hoje que o mundo deve agora debruçar-se sobre a “situação dramática” em Gaza, após as operações que permitiram a entrega de prisioneiros e de corpos no âmbito do cessar-fogo no enclave.

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“Nas últimas 15 semanas, o CICV colaborou com Israel, com o Hamas e com os mediadores para repatriar os reféns, os detidos e as ossadas das pessoas falecidas junto das suas famílias, em conformidade com a primeira fase do acordo” de cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro, sublinhou a presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, num comunicado.

Agora, sublinhou, os Estados devem tirar partido da dinâmica criada pela primeira fase do acordo entre Israel e o Hamas para “melhorar com urgência a situação humanitária dramática em Gaza”.

Nesse sentido, Spoljaric apelou à comunidade internacional para que “aproveite todas as oportunidades para intensificar os esforços para aliviar o sofrimento em Gaza”.

“Isso implica flexibilizar as restrições sobre bens e equipamentos de dupla utilização, como canalizações de água e geradores, indispensáveis à restauração das infraestruturas essenciais para a população”, insistiu.

Desde o início da guerra em Gaza, em 2023, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro, o CICV ajudou ao regresso “de 195 reféns, dos quais 35 falecidos, e de 3.472 detidos” palestinianos.

A devolução, na passada segunda-feira, dos restos mortais do último dos 251 reféns israelitas abriu caminho à reabertura da passagem de Rafah entre Gaza e o Egito, crucial para o encaminhamento de ajuda para o território, onde a situação humanitária continua a ser dramática para mais de dois milhões de habitantes.

“Muitos habitantes de Gaza continuam a viver sob os escombros, privados de serviços básicos, e lutam para se proteger do frio do inverno. Milhares de famílias aguardam ainda notícias dos seus familiares. Os hospitais, as habitações, as escolas e as redes de água potável precisam de ser reparados, e as munições não detonadas têm de ser desminadas”, recordou a presidente da Cruz Vermelha.

Segundo o mais recente balanço divulgado quarta-feira pelas autoridades de saúde de Gaza, o número de mortos ascende a 71.667 e o de feridos a 171.343, na sequência dos bombardeamentos israelitas sobre o enclave palestiniano.

Estes números poderão ser ainda superiores, uma vez que em cada comunicado do Ministério da Saúde é salientado que muitas vítimas continuam presas sob os escombros ou em zonas a que as equipas de socorro não conseguem aceder devido às restrições impostas pelas tropas israelitas. 

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas, Israel lançou de imediato uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou além dos mais de 71 mil mortos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.