A habitação de José Pardal, em Lavariz, Montemor-o-Velho, está a poucos centímetros de ser atingida pela água, após os fortes aguaceiros que se iniciaram na terça-feira.
O morador alerta para uma situação recorrente, agravada pelo acumular de água nas valas e pela falta de escoamento eficaz.
“Esta é uma situação recorrente, mas este ano ainda não foi tão mau como em 2019. Naquela altura, chegou a entrar 70 centímetros de água dentro da minha casa”, explicou José Pardal.

Segundo o morador, “quando não há escoamento e quando chove muito, acontece sempre isto. É como em 2019: mexe-se no canal e fica logo tudo inundado. Mas há longos anos que é assim”.
José Pardal criticou também a obra de regularização do Baixo Mondego, realizada há anos: “A primeira cheia que tive em casa foi em 2001, depois da regularização. Antes disso, a água apenas tapava uns centímetros do rodapé. Agora, em dias de chuva intensa, a situação é uma desgraça. Gastaram um milhão e cem mil euros numa obra debaixo da areia, mas não resolve nada.”
Apesar do risco, o morador ainda consegue entrar na habitação, usando botas altas: “Uso estas botas para poder entrar dentro de casa. A água neste momento nem sobe nem desce, estagnou. Mas durante a noite subiu mais de meio metro, e com as previsões de chuva para os próximos dias, a situação pode piorar.”
Além do risco de inundação, José Pardal relatou danos provocados pela tempestade na sua casa: “O meu telhado saltou três ou quatro fiadas de telhas. Já foram repostas algumas, mas estou à espera do resto.”
A situação em Lavariz evidencia a persistência do problema de cheias na região e a necessidade de intervenções eficazes nas valas e sistemas de escoamento de água, especialmente em períodos de chuvas intensas.
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