Economia

Catástrofe em Portugal: Que seguros realmente cobrem danos provocados por tempestades severas?

Notícias de Coimbra | 11 minutos atrás em 29-01-2026

As tempestades severas que têm assolado o país deixaram um rasto de destruição em milhares de casas. Ventos fortes, inundações e quedas de árvores provocaram prejuízos milionários, colocando muitas famílias numa situação de vulnerabilidade. Mas afinal, que seguros cobrem estes danos? E o que os consumidores precisam de saber antes de sofrerem perdas?

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Este seguro obrigatório é essencial, mas insuficiente quando a tempestade traz danos grandes, como telhados arrancados, infiltrações ou muros caídos.

A resposta não é linear e depende do tipo de apólice contratada. Em muitos casos, as famílias descobrem apenas depois do desastre que não estão protegidas contra tempestades, inundações ou ventos fortes.

Em Portugal, a lei exige apenas um seguro contra o risco de incêndio para edifícios em regime de propriedade horizontal (condomínios). No entanto, este seguro, frequentemente contratado pela administração do prédio, é exclusivo para danos de fogo, criando uma falsa sensação de segurança. Na prática, se viver num apartamento, esta apólice obrigatória não protege contra telhados arrancados, inundações ou janelas partidas por ventos fortes; sem um seguro multirriscos-habitação, a maioria dos danos provocados pelo mau tempo fica totalmente a cargo dos proprietários.

A ideia de que ‘a casa está segurada’  pode criar uma falsa sensação de segurança na prática, sem um seguro multirriscos-habitação, grande parte dos danos provocados por mau tempo fica fora de cobertura.

O seguro multirriscos-habitação é a apólice que oferece proteção mais abrangente, podendo incluir coberturas como:danos por tempestades e ventos fortes, inundações e aluimento de terras,danos por água e sobre-tensões elétricas, demolição e remoção de escombros,e, em muitos casos, alojamento temporário se a casa ficar inabitável.

No entanto, estas coberturas não são universais e variam consoante o contrato, sendo essencial confirmar condições, franquias e exclusões.

Rui Ventura, Team Leader de Seguros no ComparaJá admite que falar de seguros num contexto de catástrofe pode soar oportunista, mas sublinha que a preocupação é legítima, E reforça ainda que um dos erros mais comuns é desvalorizar a cobertura de recheio, especialmente entre inquilinos.

“Se for inquilino, o seguro do senhorio cobre as paredes, mas não cobre nada do que está lá dentro. Se houver uma inundação ou o teto ceder, os eletrodomésticos, móveis e bens pessoais ficam por sua conta. O seguro das paredes, muitas vezes imposto pelo banco, não ajuda se uma sobre-tensão queimar o computador de trabalho ou se a água destruir o sofá.”

Outro ponto crítico é o apoio em situações extremas. Muitas apólices multirriscos incluem despesas com alojamento temporário, uma ajuda que pode ser decisiva em cenários de emergência.

Com fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes, os especialistas concordam que rever os seguros deixou de ser opcional. Se a casa valorizou mas o seguro continua com valores de há 10 anos, a indemnização pode não chegar para reconstruir a casa. A ausência de cobertura de recheio ou desconhecimento das exclusões são falhas comuns que podem ter consequências graves. Deixa ainda uma mensagem final de sensibilização: “O seguro não se faz porque vai acontecer algo, mas para que, se acontecer, a vida possa continuar.”