Política

Presidenciais: Seguro coloca Ventura em “primárias à direita” e ouve críticas sobre o seu silêncio de 11 anos

Notícias de Coimbra com Lusa | 40 minutos atrás em 27-01-2026

 O candidato presidencial António José Seguro sugeriu hoje que André Ventura está numas “primárias à direita” para “concorrer com o primeiro-ministro”, tendo o líder do Chega apontado os anos de silêncio do ex-líder do PS.

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“Eu percebo que o doutor André Ventura, como líder partidário, esteja a fazer desta campanha eleitoral uma eleição das primárias à direita, daquilo que entende para o que possa concorrer com o primeiro-ministro, mas quero-lhe dizer – já lhe disse isto no nosso primeiro debate – o senhor está na eleição errada, isto não é um debate parlamentar”, disse António José Seguro no único debate da segunda volta das eleições presidenciais, em simultâneo na RTP, SIC e TVI.

Recordando que “quem tem o poder executivo em Portugal é o Governo, não é o Presidente da República”, Seguro pediu a Ventura que “não misture” os diferentes papéis, recordando ainda que esteve 11 anos na sua vida privada após o candidato apoiado pelo Chega o ter acusado de não ter legitimidade para falar sobre saúde após o PS, partido que o apoia, ter deixado o setor “como deixou”.

“Não se lhe ouviu uma crítica do estado desastroso em que o PS deixou a saúde. Não se lhe ouviu uma crítica, e teve muitos anos para isso”, insistiu Ventura mais tarde, referindo que Seguro ficou “em silêncio” e não fez críticas “nem aos governos socialistas, nem ao caos que deixou na saúde, e agora lembrou-se de coisas, pela primeira vez, ainda por cima algumas coisas que já estão definidas na lei”.

Os candidatos debatiam o estado da saúde em Portugal, em que André Ventura desafiou António José Seguro a acabar com a direção-executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que apelidou de “organismo absolutamente inútil”, sugerindo que podia “acabar” para se “gastar dinheiro onde faz falta que se gaste efetivamente”.

António José Seguro considerou que o Presidente da República deve “criar as condições para que os partidos políticos se juntem em volta de uma mesa”, disponibilizando “o Palácio de Belém para que isso se faça e cada um possa contribuir com soluções concretas para este compromisso na saúde”, referindo-se ao pacto interpartidário que tem defendido ao longo da campanha eleitoral.

“Para mim um aspeto essencial é a valorização das carreiras e do estatuto de todos os profissionais de saúde. E fico satisfeito que da parte do presidente do Chega haja essa disponibilidade para esse compromisso”, apontou, e questionado sobre se o pacto que propõe visa mudar a arquitetura do sistema, Seguro respondeu que “visa o objetivo essencial” de dar “saúde a tempo e horas para todos os portugueses”, não pondo em causa “o serviço universal e tendencialmente gratuito”, que considerou estar a ser “posto em causa em termos práticos”.

Perante a sugestão de Seguro de uniformizar sistemas de marcação de consultas e prescrições, André Ventura considerou que ficou “claro” que Seguro “não tem plano nenhum para nada”, que “a carreira dos médicos, dos enfermeiros e dos auxiliares já está definida na lei”, acusando o adversário de estar “a pensar nestas coisas pela primeira vez”.

Já sobre a legislação laboral, António José Seguro reiterou que se chegar a Belém “o decreto inicial do Governo” o vetará politicamente, mas admitiu que estará mais perto de promulgar as alterações se houver acordo na concertação social, vincando que se pronuncia sobre factos e olhará “para o decreto final”.

Por seu lado, André Ventura, instado a tomar posição sobre um eventual chumbo e perante Seguro ter dito que não estava esclarecido sobre a sua posição, o líder do Chega considerou que “a concertação social podia ter ido muito mais longe” e procurará “que o Governo mude” o anteprojeto apresentado, mas “se chegar assim, não passará”.