O aumento rápido do caudal do rio Ceira está a levar à mobilização de um forte dispositivo de proteção civil na zona do Cabouco, uma das áreas mais vulneráveis a cheias no concelho de Coimbra.
Desde a manhã desta terça-feira, 27 de janeiro, bombeiros, proteção civil, junta de freguesia e forças de segurança estão no terreno a monitorizar a situação e a apoiar a população.
Em declarações ao Notícias de Coimbra, o comandante dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, Paulo Palrilha, explicou que o dispositivo foi montado “por volta das 8:00”, após informação de que “o leito central do Rio Mondego estava a aumentar”.
“Sabemos que o primeiro sintoma de cheias em Coimbra é no Cabouco, por isso decidimos montar o dispositivo e acompanhar esta situação como historicamente fazemos”, afirmou.
No local encontram-se meios significativos, incluindo barco, mergulhadores e operacionais das três corporações de bombeiros do concelho, além da Proteção Civil Municipal.
“É necessário dar apoio às pessoas, ajudar a retirar bens para locais mais seguros e garantir também a limpeza das vias rodoviárias depois das cheias”, acrescentou o comandante.
A coordenadora da Proteção Civil Municipal, Andreia Rodrigues, sublinhou que a preocupação se estende a todo o concelho, devido às várias ocorrências registadas nos últimos dias.
“Estamos a monitorizar os caudais desde sexta-feira, em articulação com os bombeiros, e a nossa grande prioridade tem sido alertar as populações e prevenir a retirada de bens”, explicou.
Segundo Andreia Rodrigues, as freguesias confinantes com o rio Mondego e o rio Ceira são, neste momento, as mais críticas.
“As descargas na barragem da Aguieira estão a ser feitas de forma estratégica e controlada, em articulação com a APA, para minimizar danos”, garantiu.
Na zona das Docas, em Coimbra, a água já galgou a margem junto ao Clube Náutico, estando os Bombeiros Voluntários de Coimbra no terreno.
“Estamos no limite de galgamento. A qualquer momento pode acontecer, por isso alertámos pessoas e entidades para retirarem os seus bens em segurança”, referiu a coordenadora.
O presidente da Junta de Freguesia de Ceira, Fernando Almeida, confirmou que o Cabouco continua a ser o ponto mais crítico da freguesia. “É o local mais problemático. Na Boiça, os terrenos agrícolas já estão alagados e a ponte velha está cortada ao trânsito, com sinalização da GNR”, disse.
Apesar da situação, o autarca sublinhou que a população está habituada a estes episódios. “As pessoas já tomaram precauções. Quando veem os bombeiros e a proteção civil no terreno, sabem que há risco”, afirmou.
Quanto ao pior cenário, Fernando Almeida admitiu a possibilidade de a água galgar a estrada de acesso à ponte. “Depende muito da chuva a montante. Se chover mais, o caudal pode aumentar nas próximas horas”, alertou.
Algumas estradas do concelho encontram-se cortadas, estando a Câmara Municipal a preparar um comunicado oficial com a listagem das vias condicionadas.
Neste momento, o rio Ceira continua a ser monitorizado de forma permanente, mantendo-se no terreno um forte dispositivo para garantir a segurança das populações do Cabouco e zonas envolventes.
Novo ponto de situação será feito pelas 16:30 pelas entidades competentes.