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E esta? A neve não é branca…

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 26-01-2026

Imagem: depositphotos.com

Apesar da expressão popular “branco como a neve”, a neve em si não é realmente branca. O que vemos como uma superfície imaculada resulta do jogo da luz com milhões de cristais de gelo microscópicos, explicam especialistas em meteorologia e ciência do gelo à Popular Science.

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A precipitação em forma de neve começa nas nuvens, onde gotículas de água sobre-arrefecidas se fixam a partículas em suspensão, como poeira ou pólen. À medida que o vapor de água congela, forma-se uma estrutura hexagonal característica, que dá origem aos flocos de seis lados. É precisamente essa geometria que faz com que a neve pareça branca aos nossos olhos.

Segundo Mark Serreze, diretor do National Snow and Ice Data Center, a luz solar contém todas as cores do espectro visível. Quando incide numa camada de neve, as múltiplas faces e arestas dos cristais dispersam a luz em todas as direções, criando um efeito semelhante a inúmeros microprismas. O resultado é a perceção de branco.

O fenómeno distingue-se do gelo compacto, onde a luz atravessa com menos desvios, e explica por que os flocos refletem tanto a luz. A neve também pode apresentar outras cores: partículas de areia podem dar tons dourados, ferrugem ou poluição podem introduzir vermelhos, e algas presentes em zonas geladas podem transformar a neve em rosa ou vermelha, como acontece com a chamada “neve melancia”. Na Antártida, os excrementos de pinguins podem provocar tonalidades semelhantes.

O azul intenso de glaciares tem outra explicação: o gelo muito compacto absorve mais os comprimentos de onda longos (vermelhos e amarelos) e devolve principalmente a luz azul, explica a Popular Science.

A capacidade da neve de refletir luz é medida pelo albedo. Neve fresca pode refletir cerca de 85% da radiação solar, tornando-se altamente refletora. A acumulação de poluição ou fuligem reduz o albedo, faz com que a superfície aqueça mais rapidamente e acelere a fusão, afetando reservas de água e influenciando processos relacionados com o aquecimento global.

As condições atmosféricas também alteram a perceção da neve. Nuvens baixas e estratos uniformes podem provocar whiteout, reduzindo visibilidade e eliminando sombras, enquanto a forte radiação aumenta o risco de fotoceratite, conhecida como “cegueira da neve”, e queimaduras solares em atividades ao ar livre.

Em suma, a neve é uma ilusão óptica da luz a interagir com cristais de gelo, e o seu “branco perfeito” depende da geometria dos flocos, da reflexão da luz e das condições ambientais.