O pão é um dos alimentos mais consumidos em Portugal, mas se não for armazenado corretamente pode rapidamente desenvolver bolor, reconhecível pelo aspeto esverdeado em algumas partes. Surge então a dúvida: é seguro retirar apenas a parte afetada e consumir o restante pão?
Especialistas em segurança alimentar alertam que esta prática não é recomendada. O bolor no pão não é apenas pouco apelativo — pode também ser prejudicial à saúde. Segundo a nutricionista Nicole Garrison, “o bolor pode provocar problemas respiratórios, como asma, e reações alérgicas, cuja gravidade depende da sensibilidade de cada pessoa”.
Além disso, é impossível garantir que uma parte do pão com bolor não contenha micotoxinas, substâncias produzidas por alguns fungos que podem ser perigosas ou mesmo fatais. “Sem análise laboratorial, não é possível saber se o bolor é seguro ou não”, explica Garrison, sublinhando que a melhor forma de prevenção é simplesmente não consumir o pão afetado.
O bolor é um crescimento fúngico que se desenvolve em matérias orgânicas húmidas. Quando amadurece, o fungo produz esporos que se espalham rapidamente. Para o professor de saúde ambiental Gevork Kazanchyan, o problema é que, mesmo quando o bolor não é visível em toda a peça, ele pode estar presente de forma microscópica. “Os esporos são apenas a ponta do iceberg, a maior parte do fungo cresce abaixo da superfície. O micélio, uma estrutura semelhante a uma teia, decompõe os nutrientes do pão de forma semelhante às raízes de uma árvore”, esclarece.
Para evitar o aparecimento de bolor, os especialistas recomendam congelar o pão que não será consumido nos próximos dois ou três dias. Guardá-lo à temperatura ambiente acelera a deterioração, enquanto a refrigeração pode comprometer a textura e a frescura. O congelamento ajuda a manter o pão fresco, preservando o sabor e prevenindo o desenvolvimento de bolor.
Em suma, embora possa parecer inofensivo retirar a parte afetada, especialistas aconselham descartar o pão que apresenta qualquer sinal de bolor, privilegiando medidas de conservação adequadas para evitar riscos à saúde.