Sarajevo liderou hoje pelo segundo dia consecutivo a lista das cidades mais poluídas do mundo, com concentrações recorde de partículas finas, levando as autoridades a declarar o estado de alerta.
Os dados são da empresa suíça IQ Air, que mede a poluição do ar em todo o mundo.
Os picos de poluição são frequentes na capital da Bósnia-Herzegovina, uma cidade de 400 mil habitantes rodeada de montanhas, especialmente durante os períodos de inversão térmica, quando se forma uma camada de ar quente sobre uma camada de ar frio, atuando como uma tampa.
Os sistemas individuais de aquecimento a lenha e carvão são a maior fonte destas emissões, juntamente com o parque automóvel.
De acordo com a empresa de monitorização suíça, os níveis de poluentes PM2,5 — micropartículas cancerígenas suficientemente pequenas para penetrar na corrente sanguínea — atingiram os 299,3 microgramas por metro cúbico, ultrapassando largamente o limite de exposição diária recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na quinta-feira, o índice de qualidade do ar atingiu 462 ao final da manhã, classificando-se na categoria “perigoso”.
As concentrações diárias de partículas finas registadas na quinta-feira foram as mais elevadas desde o início do inverno e deverão manter-se nesse nível também hoje, declarou Enis Krecinic, especialista ambiental do Instituto Meteorológico de Sarajevo, citado pela agência de notícias francesa AFP.
“No nosso sistema de classificação, que tem seis categorias de qualidade do ar, o índice está também no pior nível possível, ou seja, na categoria 6”, a categoria de ar “extremamente poluído”, acrescentou o especialista.
“Na maioria das estações de monitorização em Sarajevo, as concentrações médias diárias de PM10 (partículas finas de diâmetro inferior ou igual a 10 micrómetros) ultrapassaram os 200 microgramas por metro cúbico, mais precisamente, entre 230 e 270 microgramas por metro cúbico. Trata-se de recordes sazonais”, sublinhou Krecinic, indicando que o limite aceitável é de 50 microgramas por metro cúbico.
Segundo um estudo divulgado em dezembro de 2025 pela Agência Europeia do Ambiente, com 199 mortes prematuras por cada 100.000 habitantes em 2023, devido a partículas finas, a Bósnia está entre os países com pior desempenho no continente europeu.