Saúde

O segredo da juventude está no sistema imunitário?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 23-01-2026

Com o avançar da idade, o sistema imunológico vai perdendo gradualmente a sua eficácia, tornando o corpo mais vulnerável a doenças. Agora, uma equipa do Broad Institute do MIT e de Harvard descobriu uma nova abordagem para rejuvenescer um componente essencial da função imunológica, com potencial para melhorar a saúde na terceira idade.

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O foco da investigação foi o timo, um pequeno órgão situado na frente do coração, crucial para o desenvolvimento das células T – células do sistema imunitário que funcionam como guardiãs, identificando e combatendo ameaças como o cancro e infeções. A partir do início da idade adulta, o timo encolhe e a sua atividade diminui, limitando a produção de células T.

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“À medida que envelhecemos, o sistema imunológico começa a declinar”, explica o neurocientista do MIT, Mirco Friedrich. “Queríamos pensar em como poderíamos manter este tipo de proteção imunológica por mais tempo, e foi isso que nos levou a investigar formas de fortalecer a imunidade.”

A equipa começou por comparar o sistema imunológico de ratos jovens com o de ratos mais velhos, identificando três proteínas de sinalização essenciais que diminuem com a idade: DLL1, FLT3-L e IL-7. Estas proteínas são responsáveis por transformar células precursoras em células T e manter essas células saudáveis.

De seguida, os investigadores criaram um tratamento com mRNA (ácido ribonucleico mensageiro), que funciona como um conjunto de instruções para a produção de proteínas. O tratamento foi administrado repetidamente no fígado de ratos mais velhos, desencadeando os efeitos de sinalização desejados.

“O fígado é um grande produtor de proteínas, mesmo em idade avançada. Além disso, o sangue que sai do estômago e intestinos passa por ele, e o acesso é relativamente fácil, tornando-o um alvo ideal para este tipo de intervenção”, explica Friedrich.

Os resultados foram promissores: nos ratos tratados durante quatro semanas, verificou-se um aumento significativo tanto no número como na diversidade de células T. Estas células responderam melhor a vacinações e mostraram maior capacidade de combater tumores cancerígenos – indicadores de um sistema imunológico mais jovem e robusto.

“Nossa abordagem é mais sintética”, acrescenta o neurocientista Feng Zhang. “Estamos a projetar o corpo para imitar a secreção do fator tímico.”

É importante salientar que o aumento da produção de células T gerado pelo fígado foi temporário, o que diminui o risco de superestimulação do sistema imunitário, que poderia levar a inflamação ou ataques às próprias células do organismo.

Apesar do sucesso inicial, os cientistas alertam que é necessário demonstrar que esta estratégia é segura e eficaz em humanos. Os próximos passos incluem estudos em outros animais e a análise de diferentes proteínas de sinalização e células imunológicas.

Tentativas anteriores de revitalizar a produção de células T, como a administração direta de reforçadores do sistema imunitário na corrente sanguínea, apresentaram frequentemente efeitos secundários e riscos. Esta nova abordagem baseada no fígado poderá oferecer uma alternativa mais segura e eficaz.

“Se conseguirmos restaurar algo essencial como o sistema imunológico, esperamos poder ajudar as pessoas a permanecerem livres de doenças durante mais tempo nas suas vidas”, conclui Zhang.

A investigação foi publicada na revista Nature.

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