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É de Coimbra. E descobriu uma espécie de planta que só existe em Almada

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 23-01-2026

Imagem: João Farminhão/ Facebook

O investigador da Universidade de Coimbra (UC) João Farminhão descobriu uma nova espécie de planta que, em todo o mundo, só existe nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, em frente a Lisboa.

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Intitulada Linaria almadensis, a planta foi colhida pela primeira vez em 1843, mas só agora, no âmbito de uma revisão taxonómica, foi reconhecida e descrita na Botany Letters, explicou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), num comunicado enviado hoje à agência Lusa.

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O exemplar que serviu de referência à descrição desta nova espécie encontra-se guardado no Herbário da UC, a maior coleção botânica do país.

“O material foi colhido aos pés do Cristo-Rei e em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, ocorrendo, exclusivamente, em paredões e terraços da arriba arenosos, na proximidade de rochas calcárias”, explicou o investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC.

De acordo com João Farminhão, esta espécie distingue-se de outras “com as quais tinha sido anteriormente confundida” pelas folhas e pela coloração da corola, “com as pétalas superiores de um branco-amarelado, o palato amarelo-alaranjado e o esporão frequentemente tingido de violeta”.

O especialista do Laboratório Associado Terra alertou ainda que “a espécie foi avaliada com a categoria Criticamente em Perigo, que é o nível de ameaça de extinção mais grave”.

São conhecidas “apenas poucas dezenas de indivíduos, carecendo o seu ‘habitat’ de medidas urgentes de conservação”, explicou.

Para a FCTUC, a descoberta demonstra o nível de desconhecimento sobre a biodiversidade portuguesa, mesmo em grupos relativamente bem conhecidos, como são as plantas vasculares, e mesmo em lugares tão próximos dos centros de conhecimento, como são as arribas ribeirinhas de Almada.

“A sua identificação coincide com a descoberta de uma nova área de endemismo vegetal, o que ajuda os especialistas a compreender a formação de novas espécies no litoral ocidental da Península Ibérica, em estreita dependência com a geologia e geomorfologia”, acrescentou a instituição de ensino superior.

João Farminhão deu ainda destaque à necessidade urgente de controlar a expansão de espécies invasores, evidenciando que “a Linaria almadensis junta-se às cerca de 90 espécies de plantas que, em todo o mundo, só existem em Portugal Continental, cuja conservação depende de todos”.

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