Todos os anos, a pequena Aldeia do Xisto de Janeiro de Cima, no concelho do Fundão, renova uma tradição que atravessa séculos: o Bodo de São Sebastião, celebrado a 20 de janeiro. O ritual tem origem numa lenda do século XVIII, quando uma epidemia ameaçou dizimar a população da aldeia.
Em desespero, os habitantes pediram emprestada a imagem de São Sebastião — padroeiro contra fomes, pestes e guerras — à aldeia vizinha de Janeiro de Baixo, já no concelho de Pampilhosa da Serra. Para evitar qualquer risco de contágio, a imagem não foi entregue em mãos: atravessou o rio Zêzere numa barca, permanecendo na outra margem até ao amanhecer. Conta-se que, depois disso, a epidemia afastou-se, e a promessa de agradecimento ficou.
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Desde então, todos os anos, a comunidade mantém viva a tradição. Pão e vinho, preparados pelos mordomos, percorrem a aldeia em procissão, sobem até à capela de São Sebastião e regressam para serem partilhados por todos. O gesto simbólico combina memória, fé e união comunitária, mantendo uma prática que continua a fortalecer a identidade local.
Este ano, como sempre, Janeiro de Cima volta a carregar o pão, a memória e a força de uma comunidade, lembrando que, por trás de cada ritual, está a história de resistência e gratidão de gerações passadas.
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