Os antigos estaleiros navais do Mondego, detidos pela Atlanticeagle Shipbuilding, contam faturar entre cinco e seis milhões de euros (ME) até final do ano, disse hoje o administrador da empresa localizada na Figueira da Foz.
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma visita às instalações da Diretora-geral de Política do Mar e do comandante da Unidade de Controle Costeiro da GNR, Bruno Costa, gerente da sociedade detida em 95% por capitais públicos de Timor-Leste, antecipou aquele volume de faturação “o que para um estaleiro que está a rearrancar a sua atividade é muito simpático”.
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O estaleiro da Atlanticeagle Shipbuilding reiniciou a atividade em 2022 e, nos investimentos em curso, destaca-se a reconstrução, em alumínio, da embarcação de pesca de cerco “Atleta” – um investimento de cerca de 2,4 ME, um terço dos quais financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), naquela que é a maior operação daquele programa de fundos europeus no setor das pescas – a concluir dentro de poucos meses.
Outra intervenção é a “maior reparação alguma vez feita nos estaleiros, em termos de volume financeiro, e volume de trabalho”, a de um pontão de atracação de grandes dimensões para o porto de Portimão, que envolve cerca de 200 toneladas de aço, adiantou o administrador.
Bruno Costa notou que a infraestrutura da Atlanticeagle Shipbuilding é a segunda maior em Portugal na construção em aço (depois de Viana do Castelo) e a única a construir e reparar embarcações fazendo uso do alumínio, detendo, atualmente, 80 funcionários, 60 dos quais efetivos.
Outros investimentos previstos para este ano passam pelo centro de tecnologia e inovação Seapower, ‘vizinho’ da empresa naval, “que está a construir um rebocador totalmente elétrico para o porto de Sines” e essa construção será finalizada nos estaleiros da margem esquerda do Mondego, adiantou.
Outras duas embarcações de pesca, também propriedade do armador António Lé – que hoje, enquanto dirigente da cooperativa de produtores Centro Litoral, promoveu a visita aos estaleiros – serão modernizadas nos estaleiros, uma das quais, a Mar Eterno, já está em doca seca, e cuja nova ponte de comando, igualmente em alumínio, foi construída por serralheiras especializadas.
Ainda segundo Bruno Costa, outra intervenção já acordada passa pela reparação de um navio de investigação científica do governo de Marrocos.
Já quanto ao ‘ferry’ com destino a Timor-Leste, a conclusão da empreitada aguarda ainda por uma decisão das autoridades timorenses, concretamente ao nível do financiamento.
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