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Carnaval está de volta a Aveiro: “Havia saudade”

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 22-01-2026

Foi apresentado, esta tarde, 22 de janeiro, em Aveiro, o Carnaval da Ria, evento que assinala o regresso do Carnaval à cidade e que promete uma abordagem artística, identitária e fortemente ligada à Ria de Aveiro.

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A apresentação contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Aveiro, que destacou a importância simbólica e cultural deste relançamento.

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“Há uma saudade nos aveirenses do tempo em que tínhamos Carnaval em Aveiro”, afirmou Luís Souto Miranda, lembrando que, apesar de a região contar com carnavais de grande tradição noutros municípios, Aveiro também teve, no passado, uma celebração própria. “Aveiro teve o seu Carnaval à sua medida, com forte adesão da população, mas que se perdeu ao longo do tempo.”

Segundo o presidente da Câmara, o novo Carnaval não pretende competir com outros eventos da região nem imitar modelos já existentes. “O Carnaval em Aveiro não está, nem tem de estar, em competição com outros municípios. Queremos um Carnaval com características identitárias próprias”, sublinhou, explicando a escolha da Ria como elemento central do conceito. “Daí chamarmos o Carnaval da Ria e utilizarmos a Ria como ponto de partida para este espetáculo.”

O autarca destacou ainda a dupla vertente do evento: artística e comunitária. “Por um lado, teremos uma forte componente cénica, estética e conceptual; por outro, queremos o envolvimento das associações, das bandas, das escolas de música e, gradualmente, da comunidade”, frisou, acrescentando que este será “sempre um Carnaval diferenciador”.

Questionado sobre a inspiração estética do evento, o presidente da Câmara confirmou a aproximação ao imaginário veneziano. “O nosso Carnaval tem mais pontos em comum com o Carnaval veneziano original do que com outros carnavais de inspiração luso-brasileira”, explicou. “Aveiro foi durante muitos anos apelidada de Veneza portuguesa e não temos qualquer problema com essa associação, salvaguardadas as devidas proporções.”

Também presente esteve António, representante da companhia Radar 360°, responsável pela componente artística do evento. O responsável sublinhou que a proposta assenta numa relação direta entre a performance e o espaço urbano. “Somos uma companhia especializada em artes de rua e performance no espaço público. Vamos trabalhar a relação entre a arquitetura, os recursos naturais e a dimensão romântica que este Carnaval pretende atingir”, explicou.

Segundo o representante, o espetáculo decorrerá ao final da tarde e início da noite, apostando numa narrativa visual baseada na luz. “Vamos fazer uma performance de luz e convidar as pessoas a juntarem-se a nós. Quem quiser pode até trazer uma fantasia iluminada e fazer parte desta performance de gestos e de luz”, revelou.

Apesar do elevado nível de exigência artística, os preparativos estão bem encaminhados. “Há sempre muita coisa para fazer quando o nível de exigência é alto, mas os ensaios já estão em curso e o vocabulário da peça está afinado”, garantiu, assegurando que o objetivo é alcançar “elevados padrões de qualidade e excelência”.

O presidente da Câmara mostrou-se confiante na adesão do público, embora sublinhe que este primeiro ano é sobretudo de relançamento. “O nosso objetivo não é ter uma grande enchente logo no primeiro ano, mas devolver aos aveirenses uma tradição que se perdeu e, naturalmente, atrair alguns visitantes”, afirmou.

Ainda assim, as expectativas são positivas. “Os eventos em Aveiro têm tido sempre uma adesão muito forte. O que procuramos é preencher o calendário anual com eventos de rua e performance artística”, explicou, enquadrando o Carnaval da Ria numa estratégia mais ampla que inclui outros grandes eventos, como o Festival dos Canais.

Relativamente ao investimento, o autarca revelou que o custo é moderado. “Estamos a falar de um valor pouco acima dos 100 mil euros, muito distante de outros carnavais da região que têm orçamentos bastante superiores”, concluiu.

O Carnaval da Ria surge assim como uma nova aposta cultural de Aveiro, combinando identidade local, arte urbana e envolvimento comunitário, com a ambição de se afirmar no calendário cultural da cidade nos próximos anos.

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