Coimbra

Grupo 1143 tinha manifestação marcada para Coimbra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 22-01-2026

Imagem: Marcos Borga/ Visão

A Polícia Judiciária (PJ) deteve 37 pessoas e identificou outros 15 arguidos no âmbito da Operação Irmandade, destinada a desmantelar a organização neonazi conhecida como grupo 1143, ativa em Portugal há mais de 25 anos.

A investigação revelou planos de ataques violentos, manifestações e a produção de material provocador direcionado à comunidade muçulmana.

De acordo com o despacho de indiciação, citado pela SIC, Mário Machado, líder do grupo, solicitou a Gil Costa, número dois da organização, que fosse desenvolvido um vídeo “sugestivo” afirmando que o profeta Maomé seria pedófilo, a ser lançado em fevereiro de 2026, com o objetivo de provocar “reações negativas ou até violentas por parte da comunidade muçulmana em Portugal”. Foi também planeada uma manifestação em Coimbra para 10 de junho de 2026, escreve o mesmo jornal.

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Machado terá dado instruções para que Vanda Loureiro, outro elemento ligado ao grupo, entregasse dinheiro destinado a fazer uma “bandeira gigante do profeta Maomé, com turbante e bomba”.

A investigação começou em fevereiro de 2024, a partir de uma denúncia, e envolveu 67 buscas, incluindo na cela de Mário Machado. Entre os detidos estão cinco mulheres, um agente principal da PSP, um militar da Marinha e militantes e ex-militantes do Chega.

O grupo 1143 tinha uma estrutura organizada, com chefias, apoio logístico, eventos e venda de produtos. A marca chegou a ser registada, com múltiplas contas bancárias, incluindo uma em nome da mãe de Machado. Havia núcleos regionais em todo o país e ramificações no estrangeiro, na Suíça e em França, e o grupo autoproclamava-se paramilitar, realizando treinos em terreno próprio em Palmela para preparar os elementos para combate urbano.

Segundo a PJ, o grupo cometia crimes de espancamentos filmados, invasões de casas e ataques em plena rua, e visava promover a “superioridade da raça branca” e uma “guerra racial”. No verão de 2025, após distúrbios em Múrcia, Espanha, Gil Costa planeou uma reunião para preparar os membros para possíveis ações semelhantes em Portugal.

A operação começou a ouvir os detidos esta quarta-feira. O Ministério Público deverá pedir a prisão preventiva para os acusados, com idades entre 30 e 54 anos, para evitar risco de homicídios ou novos ataques.

A advogada Mayza Consentino, que representa alguns arguidos, afirmou que “ninguém cometeu qualquer crime” e invocou liberdade de expressão, rejeitando que o grupo 1143 seja neonazi.

De acordo com a PJ, os crimes de incitamento ao ódio em Portugal dispararam nos últimos anos, passando de 9 casos em 2019 para 67 em 2025.

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