Saúde

A doença do sono existe. E poucos sabem que a têm

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 21-01-2026

A narcolepsia é uma doença neurológica que afeta o controlo do sono e da vigília, causando uma sonolência excessiva durante o dia e episódios incontroláveis de adormecimento.

Embora não seja considerada fatal, a condição tem um impacto significativo na qualidade de vida e aumenta o risco de acidentes.

A doença costuma surgir na adolescência ou na juventude, mantendo-se ao longo da vida, e é mais frequente na Europa, com uma incidência de três a cinco casos por 10 mil habitantes.

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Os pacientes com narcolepsia podem adormecer a qualquer hora e em qualquer situação, sendo mais comuns os episódios durante atividades monótonas, como reuniões ou condução prolongada. Além disso, segundo a CUF, podem ocorrer:

  • Cataplexia: paralisia momentânea das extremidades em resposta a emoções intensas;
  • Paralisia do sono: sensação de incapacidade de se mover ao acordar, frequentemente acompanhada de alucinações visuais ou auditivas;
  • Episódios de sono curtos, com duração inferior a uma hora, intercalados por períodos de vigília.

A maioria dos doentes apresenta apenas alguns destes sintomas, enquanto cerca de 10% manifestam todos simultaneamente.

A principal causa da narcolepsia é a falta do neurotransmissor orexina (ou hipocretina) no hipotálamo, responsável pelo controlo da vigília. A doença pode ter predisposição genética e, em alguns casos, está associada a traumatismos cranianos, esclerose múltipla, Parkinson ou sarcoidose.

O diagnóstico baseia-se nos sintomas e registos do sono, podendo incluir eletroencefalograma e monitorização do sono. Exames de sangue e análises estruturais do cérebro raramente são úteis.

Embora não haja cura, mudanças no estilo de vida ajudam a controlar os sintomas, incluindo:

  • Manter horários regulares de sono;
  • Criar um ambiente de descanso confortável e escuro;
  • Evitar álcool, cafeína e refeições pesadas antes de dormir;
  • Praticar exercício físico e pequenas sestas durante o dia.

Em casos mais graves, podem ser prescritos estimulantes para controlar a sonolência ou antidepressivos, como a imipramina, para reduzir a cataplexia.

A narcolepsia não pode ser prevenida, mas o tratamento adequado e a gestão de gatilhos podem reduzir o número de crises e melhorar a segurança no dia a dia. A conscientização junto de familiares, professores e colegas é fundamental para apoiar os doentes e reduzir o stress associado à condição.

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