As eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026 confirmaram um cenário político marcado pela fragmentação eleitoral e deve, portanto, ser analisado com realismo, sentido de responsabilidade e visão estratégica pelas consequências políticas e sociais que daqui podem emergir.
Apesar da presidência em Portugal ter um papel essencialmente de moderação, é um facto que exerce uma influência significativa sobre o rumo político do país, dependendo do perfil do vencedor.
Em primeiro lugar, importa sublinhar que estas eleições ocorreram num contexto particularmente exigente para os partidos que assumem responsabilidades governativas com uma eleição presidencial fortemente personalizada, em que o voto foi menos determinado por programas partidários e mais influenciado por perceções individuais, emoções políticas e lógicas de protesto.
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A elevada dispersão de candidaturas, contribuiu para dificultar a afirmação de propostas moderadas, responsáveis e institucionais e a ascensão de alguns candidatos poderá refletir uma maior polarização política e social, reforçando a necessidade de uma mudança nas políticas públicas.
A candidatura mais forte à esquerda foi a de uma figura ligada ao partido socialista com discurso de igualdade, justiça social e desafios globais como as alterações climáticas.
No entanto, à direita, a polarização foi mais marcante, com os discursos a incidirem sobretudo na segurança, identidade nacional, politicas de imigração, relevantes, sobretudo no momento de tensão politica e social que vivemos a nível global.
O resultado das presidenciais de 2026 pode vir a ter um grande impacto na governabilidade em Portugal, agravando ainda mais a polarização no país, com uma divisão ainda mais acentuada entre a direita e a esquerda.
A governabilidade do país poderá ser desafiada, especialmente se o presidente não estiver disposto a colaborar com o governo, criando conflitos institucionais e até mesmo paralisia política, especialmente em questões como reformas fiscais, políticas sociais e a abordagem em relação à União Europeia.
De qualquer forma, o desempenho de candidatos de fora do establishment e a fragmentação do eleitorado mostram que, em 2026, o país está a viver um momento de transformação política.
A relação entre o Presidente da República e o Governo será fundamental para os próximos anos de governança. A presidência de 2026 será, sem dúvida, um ponto de inflexão na política portuguesa.
O CDS tem assumido, no Governo, uma postura de responsabilidade, estabilidade e compromisso com o interesse nacional, opção esta, nem sempre reconhecidal, ainda assim, o CDS não abdica da convicção de que a política se faz com seriedade, coerência e sentido de Estado.
Estas eleições revelam igualmente uma recomposição do espaço político, com uma maior polarização do debate público.
O CDS entende que esse fenómeno exige reflexão, mas também reafirmação bem como capacidade de dialogar com diferentes sensibilidades democráticas de forma a contribuir para a estabilidade política.
Este resultado deve ser encarado como uma oportunidade de reflexão e renovação. O CDS continuará a trabalhar no Governo para responder aos problemas concretos dos portugueses; na economia, na justiça social, na segurança e no apoio às famílias, reforçando simultaneamente a sua identidade política e a sua capacidade de mobilização cívica.
As eleições presidenciais não esgotam o ciclo político, mas oferecem sinais claros que o CDS saberá interpretar com maturidade e visão de futuro.
O CDS mantém-se fiel à sua missão: servir Portugal com responsabilidade, moderação e coragem política.
OPINIÃO | Paula Helena Ferreira da Silva, presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP
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