Portugal

Cavalos conseguem sentir o cheiro do medo nos humanos

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 20-01-2026

 Os cavalos conseguem cheirar o medo nos humanos e estão mais alerta na presença deste sinal químico, segundo um estudo realizado por uma equipa francesa.

“A primeira vez que entrei num estábulo, disseram-me: ‘Cuidado, não tenhas medo, os cavalos conseguem sentir o teu medo'”, recordou a etóloga Léa Lansade, diretora de investigação do Instituto Nacional de Investigação Agrícola, Alimentar e Ambiental de França (INRAE).

“Mas isto é figurativo ou literal? Parece ser literal”, continuou a investigadora, autora principal do estudo recentemente publicado na PLOS Biology.

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O olfato é, provavelmente, a capacidade sensorial mais utilizada pelos animais para comunicarem com os seus semelhantes, principalmente em situações de perigo.

Nos humanos, investigações recentes têm destacado o papel do suor produzido pelas glândulas axilares, que contém compostos como a adrenalina, a androstadienona e o ácido hexadecanoico.

Estudos demonstraram também que os cães são capazes de detetar estes sinais emitidos pelos humanos.

Em relação aos cavalos, “sabemos que conseguem decifrar as nossas expressões faciais, reconhecendo se estamos tristes, felizes ou zangados. São também muito bons a reconhecer as nossas vozes”, explicou Lansade à agência France-Presse (AFP), que estuda a perceção das emoções humanas por estes animais há cerca de dez anos.

Depois de recolher os odores associados ao medo e à alegria de 30 voluntários — que assistiram a excertos de filmes de terror e comédia com tampões colocados debaixo das axilas —, a investigadora e os seus colegas do Instituto Francês do Cavalo e da Equitação (IFCE) realizaram uma série de testes com 43 éguas galesas.

Os cavalos receberam focinheiras nas quais foram agrafados tampões relativos ao ‘medo’, ‘alegria’ ou ‘neutro’, servindo estas últimas de controlo.

Dois testes permitiram aos investigadores observar as interações do animal com um ser humano, se se aproximava de um experimentador que estava por perto e como reagia durante a escovagem.

Outros dois testes visavam observar as reações dos cavalos na ausência de um humano, quando um guarda-chuva era aberto repentinamente em frente ao animal e quando um objeto desconhecido era colocado na sua baia.

Em todos os casos, os cavalos expostos ao odor do medo exibiram níveis mais elevados de sintomas de medo.

Nos testes de interação, tocaram menos no humano. Reagiram com mais intensidade quando o guarda-chuva foi aberto e olharam com mais atenção para o novo objeto.

O odor do medo humano “coloca-os em estado de alerta, de vigilância”, mesmo sem a presença de um humano.

“Existe realmente contágio emocional”, sublinhou Lansade.

“Não sabemos se isto se aprende ao observar pessoas assustadas ou se é um comportamento inato”, explicou a etóloga.

O cavalo é um animal “que demorou muito tempo a ser domesticado” e todos os cavalos domésticos atuais “descendem de uma única manada” originária de uma região a norte do Cáucaso.

“Talvez este grupo tivesse a capacidade de reconhecer as nossas emoções”, sugeriu a cientista.

Outra hipótese é a de que a comunicação química terá surgido provavelmente no início da história evolutiva.

Uma melhor compreensão destes mecanismos é um elemento importante para o bem-estar, a segurança e a eficácia do treino equino, lembrou a etóloga.

Quanto à alegria, o estudo não revelou qualquer reação significativa.

“Mas talvez isso esteja relacionado com a forma como provocamos” essa emoção nos voluntários, que pode ter sido menos intensa, alertou a investigadora.

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