O Hospital Padre Américo, em Penafiel, foi condenado ao pagamento de 105 mil euros à família de Sara Moreira, uma jovem de 19 anos que morreu em 2013 vítima de um tumor cerebral nunca diagnosticado. A decisão foi tomada no âmbito de um processo cível, depois de um processo-crime ter sido arquivado sem culpados.
Entre 2010 e 2013, Sara recorreu dez vezes à urgência do hospital, queixando-se de dores de cabeça, vómitos e episódios de desmaios frequentes. Em todas as ocasiões, os médicos diagnosticaram crises de ansiedade e prescreveram medicamentos como Diazepam e paracetamol. Dois dias após a última ida ao hospital, a jovem morreu em casa, em Paredes. A autópsia revelou que sofria de um tumor cerebral que nunca tinha sido detetado.
Segundo a sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal, passada em novembro, a morte de Sara resultou da “falta de articulação dos serviços hospitalares”, da ausência de encaminhamento para consultas especializadas e da não realização de exames complementares de diagnóstico, como tomografia axial computadorizada (TAC) ou ressonância magnética, pode ler-se no Jornal de Notícias.
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O tribunal salientou que, apesar de o diagnóstico errado ter ocorrido repetidamente, os médicos não agiram com intenção de provocar a morte, pelo que no processo-crime cinco médicos acusados foram absolvidos entre 2017 e 2020.
A decisão civil obriga o Hospital Padre Américo a indemnizar a família em 105 mil euros, mas o hospital recorreu da sentença, e o caso seguirá agora para o Tribunal Central Administrativo do Norte.
O caso levantou críticas sobre falhas na gestão e comunicação dentro do hospital, sublinhando a importância de exames complementares e encaminhamentos adequados quando os pacientes apresentam sintomas persistentes e graves.
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