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Entre fotografia e vídeo, há uma nova exposição em Coimbra que está a dar que falar

Notícias de Coimbra | 16 minutos atrás em 17-01-2026

Foi inaugurada este sábado, 17 de janeiro, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), a exposição 21 minutes pour une image, de José Maçãs de Carvalho, com curadoria de Daniel Madeira.

A abertura integrou a celebração do Aniversário da Arte, iniciativa inspirada por Robert Filliou e Ernesto de Sousa, que o CAPC assinala desde 1974.

Com obras provenientes de diferentes momentos da prática artística do autor — reunindo trabalhos já existentes e criações inéditas —, a exposição desenvolve-se na tensão entre a imagem fixa e a imagem em movimento, recusando uma separação rígida entre fotografia e vídeo. As obras apresentam-se como regimes visuais em fricção contínua, onde a imagem é pensada enquanto duração, deslocamento e relação, mais próxima de um acontecimento do que de um objeto fixo.

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Segundo o curador Daniel Madeira, “a fotografia e o vídeo não se afirmam como campos opostos, mas como regimes visuais em fricção contínua”, partindo da ideia de que “vinte e um minutos para uma imagem são milhares de imagens”. A exposição sublinha, assim, a dimensão temporal inerente a qualquer experiência visual, tornando explícito que a imagem em movimento não substitui a imagem fixa, antes a multiplica.

21 minutes pour une image propõe uma suspensão crítica dos mecanismos automáticos através dos quais se atribui valor, permanência ou esquecimento às imagens, questionando simultaneamente a posição do espectador e a persistência do desejo de acreditar na imagem, mesmo quando o seu carácter narrativo e artificioso é reconhecido.

Entre o fixo e o móvel, entre o único e o múltiplo, os trabalhos apresentados convidam a uma experiência de atenção prolongada, explorando o potencial da imagem enquanto geradora de sentido na relação com outras imagens, com o tempo e com o olhar.

José Maçãs de Carvalho é artista, curador e professor universitário, com um percurso reconhecido no campo da fotografia, do arquivo e da memória. Doutorado em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra, é professor no Departamento de Arquitetura e no Colégio das Artes da UC, onde coordena o Mestrado em Estudos Curatoriais. O seu trabalho integra várias coleções públicas e privadas, nacionais e internacionais.

A inauguração da exposição coincidiu com a celebração do Aniversário da Arte, iniciativa inspirada por Robert Filliou e Ernesto de Sousa, que o CAPC assinala desde 1974 como uma festa-performance dedicada à arte e à vida em comunidade. Este ano, a efeméride ganhou um significado particular ao homenagear um colaborador de longa data da instituição, cuja relação com o Círculo atravessa décadas de trabalho artístico, curatorial e pedagógico.

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