A Assembleia Municipal de Coimbra aprovou hoje, por maioria, o orçamento de 32,7 milhões de euros (ME) dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) para 2026.
O documento foi aprovado com 29 votos a favor (22 do PS, três do PSD, dois do Livre e dois do PAN), seis votos contra (três do Chega, um do Grupo Municipal Nós Cidadãos (NC), um do BE e um da IL) e 16 abstenções (oito do PSD, três do CDS-PP, dois do NC, dois da CDU e um do PPM).
Na semana passada, a proposta de orçamento dos SMTUC tinha sido aprovada com os votos a favor da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) e da vereadora do Chega, contando ainda com a abstenção da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/IL/CDS-PP/NC/PPM/MPT/Volt).
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Na sua intervenção na reunião extraordinária da Assembleia Municipal, que decorreu esta tarde, a presidente de Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa (Avançar Coimbra), reiterou que este é o documento “necessário” para continuar a atividade dos SMTUC, em resultado de a administração cessante não ter aprovado o orçamento.
“Não haverá cortes de salários, estamos em condições, caso a Assembleia da República aprove suplementos, de pagar esses suplementos, mas como não contabilizámos receitas, que passará a ser canalizada para os SMTUC através da AGIT [Agência para a Gestão do Sistema Intermodal da Região de Coimbra], também não contabilizámos despesas”, afirmou.
Segundo a Câmara, assim que a AGIT aprove o seu orçamento, o documento será revisto.
“Numa primeira oportunidade, acreditamos que algures em fevereiro, será feito o equilibro deste documento”, acrescentou Luís Filipe, vereador com a tutela das finanças.
Para João Pedrosa, eleito pelo Chega, o orçamento dos SMTUC não espelha as reais necessidades do serviço, considerando ainda mais grave que os próprios serviços admitem que as verbas apenas garantem o funcionamento da frota até ao final do primeiro semestre.
“Este orçamento é reflexo de décadas de gestão que prefere o remendo à reforma estrutural”, disse.
Já Catarina Graveto, eleita pela IL, afirmou que os SMTUC sofrem hoje de “uma falência multiorgânica” e não de “uma crise de crescimento”, acrescentando que é inaceitável que em 2026 a mobilidade seja planeada às fatias, com os SMTUC e o Metro Mondego.
“A solução não pode ser este retalho ineficiente que obriga o cidadão a adaptar-se ao sistema, quando devia ser o sistema a servir o cidadão”, sustentando ser preciso um sistema único, rede integrada e planeamento conjunto.
A eleita do BE, Maria João Paixão, votou contra o orçamento, mas na sua intervenção não abordou o tema.
Um dos três eleitos do NC também votou contra, sem que tenha realizado intervenção na sessão da Assembleia Municipal.
Já Lúcia Santos, eleita pelo mesmo grupo municipal, argumentou que o documento “serve meramente para cumprir uma obrigação legal”, sem apresentar visão estratégica clara, metas operacionais, a evolução da procura nem estabelecer um plano consistente de renovação da frota e de melhoria do serviço.
“Compreendo que este seja um orçamento de transição (…), mas mesmo um documento transitório deveria ser mais claro quanto às prioridades imediatas e às opções que se pretendem assumir no curto prazo. Nessa medida, esperamos a apresentação de umas GOP e orçamento reais, e que traduzam as verdadeiras necessidades dos SMTUC, nos próximos meses”, referiu.
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