Ter uma deficiência sensorial pode influenciar o diagnóstico precoce do cancro e um estudo descobriu que as pessoas daltónicas são diagnosticadas mais tarde com tumores da bexiga, porque têm dificuldade em perceber os sinais de alerta.
Geralmente, este tipo de cancro começa com a presença de sangue na urina ou nas fezes, um sintoma que pode passar despercebido às pessoas com deficiência na visão das cores, como o daltonismo, uma condição que torna difícil ou impossível ver determinadas cores, especialmente o vermelho.
E, se a hemorragia não for detetada, o diagnóstico e o tratamento podem ser atrasados, de acordo com as conclusões de um estudo realizado por vários centros dos EUA e publicado na quinta-feira na revista Nature Health.
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Os investigadores compararam os resultados de doentes com cancro da bexiga e colorretal, alguns com daltonismo e outros sem, utilizando dados de uma grande base de dados de registos de saúde eletrónicos (TriNetX, que inclui os históricos médicos de 275 milhões de doentes anónimos).
Entre 135 doentes com cancro da bexiga e deficiência na visão das cores e 135 participantes do grupo de controlo com este tipo de tumor, mas sem daltonismo, os cientistas verificaram que o primeiro grupo apresentou uma menor taxa de sobrevivência.
Especificamente, as pessoas com cancro da bexiga e daltonismo tiveram 52% mais de probabilidade de morrer até 20 anos após o diagnóstico.
Por outro lado, não se verificaram diferenças significativas na sobrevivência entre 187 doentes com cancro colorretal e deficiência na visão das cores e 187 doentes do grupo de controlo com este tumor, mas sem daltonismo.
Os autores acreditam que esta diferença pode ser atribuída ao facto de o cancro da bexiga geralmente não apresentar sintomas para além de sangue na urina, enquanto o cancro do cólon pode causar outros sinais, como dor ou alterações nos hábitos intestinais.
Embora os investigadores reconheçam as limitações do estudo, como o facto de muitas pessoas com daltonismo não serem oficialmente diagnosticadas com esta condição, acreditam que é importante que os programas de prevenção do cancro da bexiga prestem mais atenção a este grupo de doentes e considerem exames de rastreio adicionais para os mesmos.
“Na prática clínica, estes dados não implicam que as recomendações para o rastreio do cancro da bexiga devam ser alteradas de imediato. No entanto, exigem uma maior consciencialização”, destacou Félix Guerrero-Ramos, coordenador da Unidade de Uro-Oncologia do Hospital Doce de Octubre, em Madrid, Espanha, num comunicado publicado pelo Science Media Centre.
“Em pessoas com fatores de risco, como ter mais de 70 anos, ser ou ter sido fumador e trabalhar com tintas industriais, o conhecimento sobre o daltonismo pode ajudar a fornecer recomendações sobre como interpretar melhor os sintomas ou incentivar um familiar a verificar periodicamente a urina”, acrescentou Guerrero-Ramos.
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