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Próxima Einstein? Ela diz que não, mas o mundo não para de a admirar

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 15-01-2026

Imagem: DR

Não tem (ainda) o cabelo extravagante nem o icónico bigode de Einstein, mas muitos afirmam que o cérebro de Sabrina Pasterski não lhe fica atrás. Aos 32 anos, esta física norte-americana de ascendência polaca e cubana é uma das mais proeminentes cientistas teóricas do mundo — ainda que rejeite a atenção mediática e a comparação com o físico alemão.

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Nascida em Chicago a 3 de junho de 1993, Pasterski ganhou destaque internacional pelo seu trabalho em gravidade quântica e holografia celeste, áreas que exploram os fundamentos mais profundos do espaço-tempo. Apesar de ser frequentemente apelidada de “a próxima Albert Einstein”, a própria cientista rejeita a comparação: “Ninguém voltará a ser Einstein”.

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A trajetória de Pasterski é tão invulgar quanto brilhante. Aos nove anos, começou a ter aulas de pilotagem, e entre os 12 e os 14 anos construiu o seu próprio avião, um Zenith CH 601 XL, que pilotou antes mesmo de ter idade legal para conduzir um automóvel. “É realmente como liberdade”, recorda a cientista sobre os primeiros voos.

As suas habilidades precoces abriram-lhe as portas do Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde, apesar de inicialmente ter sido colocada em lista de espera, conquistou uma média perfeita de 5.0 e se tornou a primeira mulher em décadas a terminar o programa de física com a melhor nota da turma. Foi também no MIT que decidiu mudar de engenharia aeroespacial para física, um caminho que culminaria no doutoramento em Harvard em 2019, sob orientação de Andrew Strominger, pode ler-se no ZAP.

Durante o doutoramento, Pasterski, Strominger e Alexander Zhiboedov descobriram um novo efeito de memória gravitacional, conhecido na comunidade científica como “triângulo Pasterski-Strominger-Zhiboedov”. Este trabalho foi posteriormente citado num artigo com Stephen Hawking sobre “soft hair” em buracos negros, uma das tentativas de repensar o paradoxo da informação.

Em 2021, a cientista recusou uma proposta milionária da Brown University e mudou-se para o Canadá, juntando-se ao Perimeter Institute for Theoretical Physics, onde fundou e lidera a Iniciativa de Holografia Celestial. O projeto procura responder a uma das questões mais fascinantes da física: será possível descrever o nosso universo tridimensional através de uma teoria bidimensional? “Holografia celestial são duas palavras: celestial e holografia. Por celestial, queremos literalmente dizer olhar para o céu noturno — como codificar o universo físico como um holograma?”, explica.

Apesar do seu percurso impressionante, a fama precoce trouxe desafios. “Não era síndrome do impostor — era saber que és realmente uma impostora”, confessa, referindo-se aos títulos que lhe foram atribuídos antes mesmo de concluir o doutoramento.

Hoje, no Perimeter Institute, Pasterski diz ter encontrado o seu lugar. Entre livros de física, projetos de aviões e uma máquina de pinball no seu gabinete, a jovem cientista continua a desvendar os segredos do universo — uma descoberta de cada vez.

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