Coimbra
Presidenciais: Pestana diz que vetaria pacote laboral e acusa Governo de querer “poder absoluto”
Imagem: Lusa Paulo Novais
O candidato presidencial André Pestana afirmou hoje que, se for eleito, vetará o pacote laboral atualmente em discussão e acusou o Governo de querer “poder absoluto”, através da vitória do seu adversário apoiado pelo PSD.
Como “Presidente da República, claramente irei vetar, não irei deixar passar passivamente, ou mais ativamente ou menos ativamente, esse pacote laboral”, disse, reforçando que estará ao lado das lutas contra a proposta do Governo.
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“Eu sou professor na escola pública e fiz greve no dia 11 de dezembro [um dia de semana] e além de fazer greve – ou seja, não recebi esse dia -, fui à manifestação e tenho estado em várias manifestações contra esse pacote laboral ou essa reforma laboral, que é muito grave”, sublinhou Pestana.
O sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.) falava esta tarde à agência Lusa, nas escadas monumentais da Universidade de Coimbra, numa ação de campanha sobre o ensino superior e as saídas profissionais para a juventude.
Questionado sobre ter sido adiada a reunião de hoje entre sindicatos e o Governo para discussão da proposta, e sobre a ministra do Trabalho afirmar na terça-feira que a CGTP se “auto afastou” das negociações, “ao contrário da UGT”, Pestana declarou que “o Governo está a tentar ganhar tempo”, porque “tem um sonho de poder absoluto”.
“O Governo está a tentar ganhar tempo, porque eu acho que o Governo tem um sonho. Eu tenho o sonho de melhorar a maioria das condições ou as condições da maioria da população, proteger o meio ambiente para as próximas gerações. Mas há pessoas que têm o sonho do poder absoluto”, apontou.
De acordo com o sindicalista, “eles já têm um Governo, que não tem maioria absoluta, mas que tem chegado em acordos parlamentares, seja com o PS ou com a Iniciativa Liberal ou que o Chega. Até põe a hipótese de fazer uma revisão constitucional, que seria também no sentido negativo”.
“Já conseguiram ganhar a presidência [da maioria] dos municípios [nas últimas eleições autárquicas]. Também ganharam a presidência das juntas de freguesia. E veja: o sonho, qual é que era? Ter também o Presidente da República da sua cor partidária”, acusou.
Ao reforçar que o PSD já tem a maioria dos municípios, afirmou que um Governo “a este nível”, caso se concretize a vitória presidencial do candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, Luís Marques Mendes, “nunca terá acontecido nos últimos 50 anos”.
Na ótica do professor, “o Governo quer ganhar tempo para depois das eleições, para não prejudicar muito o seu candidato”, num contexto em que o país viu decorrer em dezembro uma greve geral contrária ao pacote.
Entretanto, considerou que a situação não “está a correr muito bem”, numa alusão as recentes sondagens, em que Mendes não aparece como favorito.
“No fundo, eles estão a adiar mostrar as garras […]. O que eu quero transmitir é que, infelizmente, se nada fizermos, eu acho que virão ataques fortíssimos depois das presidenciais”, com um programa que “enriquece ainda mais os mais ricos”, asseverou.
O pacote laboral foi apresentado em 2025 pelo Governo e já mereceu o ‘rotundo não’ das centrais sindicais, que argumentam que é “um ataque” aos direitos dos trabalhadores.
Por outro lado, as confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.
Entre os pontos negativos da proposta, para Pestana, estaria a jornada de trabalho, que poderia chegar até 50 horas semanais, “quando o patrão bem entender”, sem que se pagasse como horas extraordinárias.
O professor apontou ainda que, caso seja aprovado, mesmo se um tribunal reconhecer que um trabalhador foi demitido injustamente, o patrão não é obrigado a recontratá-lo, o que possibilitaria a demissão de quem seja “mais sindicalista” ou alguém “que não aceite jantar” com o chefe, por exemplo, declarou, evocando situações de assédio.
“Isto é a lei da selva, não concordo com isso”, frisou.
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