Escolas

Violência em escola de Condeixa? Pais criam petição, mas direção acha que “é brincadeira de Carnaval”

António Alves | 2 horas atrás em 14-01-2026

Encarregados de educação falam em “agressões físicas, ameaças, intimidação, comportamentos reiterados de violência, bem como ameaças ou porte de armas”. Associação de Pais e direção do agrupamento desconhecem.

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Uma petição pública, a decorrer na página da internet de serviço gratuito de petições online, está a alertar para as situações de violência na Escola EB2 de Condeixa-a-Nova, conhecida como “Escola Amarela”.

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Os criadores desta subscrição manifestam “a sua séria preocupação relativamente à ocorrência de situações de violência em meio escolar, nomeadamente agressões físicas, ameaças, intimidação, comportamentos reiterados de violência, bem como ameaças ou porte de armas”.

No seu entender, “a escola deve ser, por princípio, um espaço seguro, de aprendizagem, respeito e desenvolvimento integral dos alunos”. “Contudo, a existência de episódios desta natureza compromete gravemente a segurança física e emocional dos alunos, docentes e não docentes, criando um clima de medo e insegurança incompatível com o normal funcionamento da comunidade educativa”, explicam.

Desta forma, pretendem que “sejam adotadas e/ou reforçadas as seguintes medidas: aplicação de medidas disciplinares mais severas e eficazes nos casos de agressões, ameaças, posse ou utilização de armas e outros comportamentos de elevada gravidade, incluindo a suspensão do aluno por um período mínimo de 2 dias, sempre que a gravidade da situação o justifique, nos termos do Estatuto do Aluno e do Regulamento Interno, bem como, em situações de especial gravidade ou reincidência, a ponderação da transferência do aluno para outro estabelecimento de ensino, conforme legalmente previsto; cumprimento rigoroso e consistente do Regulamento Interno, garantindo que infrações graves tenham consequências proporcionais à sua gravidade; reforço das medidas de prevenção e acompanhamento, incluindo apoio psicológico, mediação de conflitos e ações de sensibilização para a não violência; comunicação clara e transparente aos pais e encarregados de educação sobre a existência de situações graves e sobre as medidas gerais adotadas, salvaguardando sempre a confidencialidade legalmente exigida e articulação com as entidades competentes, designadamente a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e as forças de segurança, sempre que a gravidade das situações o justifique”.

Perante estas questões, solicitam “uma reunião com a presença da direção da Escola, o diretor do Agrupamento e o vereador da Educação para que nos indiquem que medidas irão ser tomadas na resolução desta situação” no prazo de 10 dias úteis.

Às 18:00 de quarta-feira, a petição já tinha 150 subscritores.

Print da petição tirado às 17:30

A presidente da direção da Associação de Pais da Escola EB 2,3 e Secundária Fernando Namora, Andrea Cravo, mostrou-se surpreendida com esta petição, da qual só teve conhecimento através das redes sociais.

Em declarações ao Notícias de Coimbra, a encarregada de educação afirmou que a sua direção não tem conhecimento “de nenhuma situação específica” daquelas que são reportadas pelos pais criadores da petição pública.

Andrea Cravo afirmou mesmo que os casos, que são do seu conhecimento, são todos reportados à direção da escola e que, no presente ano letivo, as únicas situações que foram do conhecimento da associação têm a ver com instalações (balneários) e alimentação (refeitórios). “Nada relacionado com violência”, afirmou.

A presidente da direção refere que sempre que há casos nos estabelecimentos de ensino é logo solicitada uma reunião à direção da escola “que está sempre disponível”. “Trabalhamos sempre em conjunto”, frisou.

Do lado da Direção do Agrupamento de Escolas de Condeixa-a-Nova, o presidente Avelino Santos começou por dizer que “se fosse Carnaval, pensava que era uma brincadeira de Carnaval”. Em declarações ao Notícias de Coimbra, o responsável disse que, na passada segunda-feira, ocorreram pequenos desacatos entre dois alunos “fruto de uma discussão na sequência de uma partida de basquetebol”.

“Houve um pequeno apertão de pescoço e cara, mas que foi prontamente resolvida”, disse, referindo que um dos envolvidos foi transportado para o Hospital Pediátrico de Coimbra para observação, mas sem que lhe fosse diagnosticado algum problema resultante desta situação.

Apesar disso, foi levantado um processo disciplinar ao aluno agressor, que ainda está a decorrer. O diretor referiu ainda que houve uma situação no primeiro trimestre do presente ano letivo com um aluno “que era bastante conflituoso”, mas que depois da aplicação de várias suspensões foi transferido para uma escola de outro concelho.

Avelino Santos lamenta que os autores da petição criem a ideia de que não está disponível para reunir, pois essa tem sido a sua prática “desde o primeiro dia em que assumi o cargo”.

Aliás, o presidente da direção do agrupamento refere que tem muitas reuniões com a direção daquela escola e com a associação de pais e que, em caso de aplicação de pena disciplinar a um aluno, “ela é sempre aplicada com o conhecimento dos pais”.

“Não entendo o alcance desta petição”, disse, referindo ainda que está prevista para esta quinta-feira, 15 de janeiro, uma reunião da direção de agrupamento, bem como já foi solicitada uma reunião com a presidente da câmara e vereadora da educação, Liliana Pimentel, para esclarecimentos relativos a esta petição pública.

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