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A história do avô mais conhecido de Portugal começa na Lousã

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 14-01-2026

Imagem: Facebook

Carlos Alberto Vidal Filipe nasceu na Lousã, a 14 de setembro de 1954, e é uma das figuras mais marcantes da música infantojuvenil portuguesa, conhecido por várias gerações como Avô Cantigas.

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Filho único, mudou-se ainda criança com os pais para Cascais, numa tentativa de alcançar melhores condições de vida. Estudou nos Salesianos do Estoril e frequentou durante três anos o conservatório de música, período em que gravou o seu primeiro disco.

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Antes de criar a personagem que o tornaria um fenómeno nacional, Carlos Vidal percorreu vários estilos musicais, da música ligeira à música popular, passando pelo rock progressivo. Em 1976 lançou “Changri-Lá”, álbum de estreia que se tornou uma referência do rock progressivo em Portugal e cujo 50.º aniversário será celebrado em 2026.

Aos 27 anos, criou o Avô Cantigas, personagem que rapidamente conquistou o público infantil e as famílias portuguesas, mantendo-se ativa ao longo de várias décadas, com espetáculos, discos, participações em séries televisivas e músicas para desenhos animados como “Bell e Sebastião” ou “Jacky, o Urso de Tallac”.

Atualmente, apesar de continuar a atuar de norte a sul do país, o músico admite viver com apreensão o momento que o mundo atravessa. Num recente episódio do podcast Posto Emissor, da BLITZ, citado pelo jornal Expresso, Carlos Alberto Vidal confessou sentir-se ansioso em relação ao futuro. “Ando ansioso e preocupado com o meu próprio futuro, não sei se vivo mais um dia ou mais 10 anos”, afirmou.

No mesmo programa, o músico traçou um paralelo entre a atualidade e períodos históricos mais difíceis, recordando a geração dos avós. “Os nossos avós viveram momentos complicados com a II Guerra Mundial, passaram por filas para o pão e o açúcar. Eu tive uma vida privilegiadíssima, mas não sei se ainda não vou passar as passas do Algarve”, disse.

Durante a conversa, Carlos Alberto Vidal revisitou ainda os primeiros momentos da sua carreira a solo, lembrando o primeiro concerto em nome próprio, realizado em Quarteira, depois de vários anos a tocar em bares e hotéis. “A minha mãe fez-me um saquinho com um lanche e lá fui eu com a minha viola. O cachê foram cinco contos”, contou, acrescentando que, na altura, ainda não tinha margem para discutir valores.

O sucesso de “A Cantiga do Chouriço”, lançado em 1981, foi outro dos temas abordados no podcast. Segundo o músico, a canção nasceu da vontade de criar uma música popular e acessível. “Se fosse cantada hoje por um Quim Barreiros ou uma Rosinha, provavelmente seria um sucesso”, afirmou, referindo-se à parceria com António Avelar Pinho, que viria a tornar-se central na obra do Avô Cantigas.

O 263.º episódio do Posto Emissor percorreu ainda outros temas da atualidade musical e cultural, mas ficou marcado pelo testemunho de Carlos Alberto Vidal, que, entre memórias, êxitos e inquietações, continua a ser uma figura incontornável da música portuguesa.

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