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Tintim agora “fala” mirandês

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 13-01-2026

 A personagem de Banda Desenhada Tintim, criada por Hergé, vai ter um álbum traduzido para mirandês com uma edição de mil de exemplares, disse hoje à Lusa o impulsionador desta iniciativa, Daniel Sasportes.

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O álbum tem como título “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), tratando-se, segundo os seus promotores, “de uma iniciativa que junta a cultura e língua mirandesa à banda desenhada mais clássica e que tem como base um personagem português que faz parte das aventuras de Tintim de nome Oliveira da Figueira, estando no mercado os primeiros mil exemplares, com tradução de Alcides Meirinhos”.

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Em declarações à agência Lusa, Daniel Sasportes disse que este é a primeira aventura de Tintim a ser traduzida para língua mirandesa, ficando disponível em capa dura por um preço de 18 euros.

“Os álbuns do Tintim estão traduzidos em várias línguas, sendo o mirandês a única língua minoritária reconhecida oficialmente em Portugal, e que fazia todo o sentido que também tivesse a sua versão neste idioma”, indicou.

Segundo Daniel Sasportes, a escolha de “Os Charutos do Faraó” não foi aleatória, já que o álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo da edição”.

“Este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal”, vincou Daniel Sasportes.

Segundo Sasportes, esta ideia de traduzir Tintim já leva alguns anos e agora foi possível.

Daniel Sasportes avançou à Lusa que o álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga Casterman.

“Nós não temos qualquer direito sobre a obra que pertencem à Tintinimaginatio, que está a comercializar o álbum a quem o solicitar, ou através de vendas digitais e nas ‘boutiques’ especializadas ou livrarias que o entendam fazer, como já aconteceu numa livraria do Porto”, destacou.

“Esta edição do álbum do Tintim em mirandês foi uma ideia de um português com tradução de um mirandês, mas cujos direitos são todos belgas”, indicou.

Já Alcides Meirinhos, explicou à Lusa – em mirandês – que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

“Quanto mais se traduzia mais vontade tínhamos de o fazer. Eu penso que se conseguiu dar um cunho mirandês a toda esta aventura de Tintim”, explicou.

O também membro da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) disse que um dos objetivos desta tradução é promover e salvaguardar a língua mirandesa.

“Esta é uma forma de mostrar que a língua mirandesa pode ser utilizada na tradução de clássicos sejam eles de que género sejam”, indicou.

Os intervenientes nesta tradução, esperam agora, que esta seja a primeira de muitas, que concerne as aventuras de Tintim.

O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial em Portugal. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor a 29 de janeiro de 1999.

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