Saúde

Células “sobreviventes” podem explicar motivo de alguns tumores se tornarem invencíveis

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 13-01-2026

Uma equipa de investigadores do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, descobriu o mecanismo molecular da proliferação compensatória, um processo pelo qual células sobreviventes conseguem regenerar tecidos gravemente danificados.

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A investigação, publicada na revista Nature Communications, poderá abrir caminhos para prevenir a recorrência do cancro e acelerar a recuperação de tecidos saudáveis.

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A proliferação compensatória foi identificada pela primeira vez há quase 50 anos em larvas de moscas-das-frutas, mas só agora se compreendeu como funciona ao nível molecular. O estudo centra-se nas caspases, enzimas tradicionalmente ligadas à morte celular programada, mas que desempenham também funções essenciais na regeneração.

Os cientistas submeteram larvas a altas doses de radiação para observar quais células ativavam o processo de autodestruição, mas sobreviviam e proliferavam para reparar o tecido danificado. Estas células foram designadas células DARE (ativadoras de Dronc).

As DARE trabalham em conjunto com outro tipo de células resistentes, chamadas NARE, que não são marcadas para morrer, mas são recrutadas pelas DARE para auxiliar na regeneração e controlar o crescimento, evitando que o processo se torne excessivo.

A equipa constatou que os descendentes das células DARE tornam-se sete vezes mais resistentes à morte celular do que as células originais do tecido, um fenómeno semelhante ao que ocorre em tumores cancerígenos após radiação, explicando em parte a resistência de cancros recorrentes. Uma proteína chamada Myo1D também foi identificada como crucial para proteger as células DARE da morte, sendo provável que tumores humanos possam usar o mesmo mecanismo.

Embora os resultados ainda precisem de confirmação em tecidos humanos, os investigadores acreditam que a descoberta permite manipular a proliferação compensatória de forma a estimular a regeneração de tecidos ou a bloquear processos que favoreçam o cancro.

“Esperamos que o conhecimento adquirido com modelos de moscas possa ser traduzido para compreender os mecanismos que equilibram crescimento e resistência à morte celular em tecidos humanos”, afirmou o geneticista molecular Eli Arama, coautor do estudo.

Além de abrir portas para a investigação oncológica, os resultados apontam para novas formas de acelerar a recuperação de tecidos saudáveis após lesões, podendo ter aplicações futuras em medicina regenerativa.

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