Saúde

Existe uma coisa que pode fazer para reduzir o risco de demência

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 13-01-2026

Dentro do corpo humano existe um relógio interno de 24 horas, conhecido como ritmo circadiano, que coordena quando dormimos, acordamos, comemos e recuperamos. Este sistema ajuda a manter órgãos e hormonas a funcionar em sincronia.

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Quando o sono é interrompido, os efeitos vão muito além da fadiga, podendo ter consequências a longo prazo para a saúde cerebral.

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Um estudo de 2025 com mais de 2.000 participantes, com idade média de 79 anos, mostrou que aqueles com um ritmo circadiano forte tinham quase metade do risco de desenvolver demência. Após três anos de acompanhamento, a demência desenvolveu-se em 7% dos participantes com ritmos irregulares, em comparação com 10% daqueles com ritmos regulares.

O estudo também teve em conta problemas de saúde cardíaca e hipertensão, frequentemente associados a distúrbios do sono. No entanto, a apneia do sono – condição em que a respiração para e reinicia repetidamente durante o sono – não foi incluída na análise, embora possa influenciar fatores de risco relacionados à demência.

Segundo os investigadores, abordar o sedentarismo associado à fadiga causada pelo sono interrompido é uma estratégia promissora. Aumentar a atividade física ajuda a reduzir a obesidade, melhora a qualidade do sono e protege as células cerebrais, diminuindo potencialmente o risco de demência.

Outros mecanismos também podem explicar a relação entre ritmos circadianos e demência. Entre eles: o sistema imunitário, influenciado pelo sono e pelos ritmos circadianos, que desempenha papel na neurodegeneração; e o processo de eliminação de proteínas tóxicas do cérebro, incluindo as placas amiloides características da doença de Alzheimer, que ocorre durante o sono profundo.

Apesar de o sono profundo ser preservado mesmo com menos de sete horas de descanso, os estudos sugerem que o sono fragmentado e ritmos biológicos desregulados podem ser consequências precoces da demência, e não necessariamente causas. As placas tóxicas acumulam-se em regiões do cérebro que regulam sono e vigília antes de surgirem problemas de memória.

A revista The Lancet concluiu que dormir mais ou menos horas não é, por si só, um fator de risco independente para a demência. Estudos sobre trabalho por turnos, frequentemente associado à disrupção do ritmo circadiano, indicam que o risco de demência depende de hábitos de vida, stress, alimentação e isolamento social, e não apenas da privação de sono.

Embora existam programas personalizados para melhorar o sono em pessoas com demência, os resultados mostram melhorias moderadas no descanso, mas impacto limitado na saúde geral ou comportamentos relacionados com a doença.

Medicamentos sedativos, como benzodiazepínicos, têm sido associados a aumento do risco de demência, sonolência diurna e quedas. A melatonina, apesar de popular, não apresenta benefícios consistentes na melhoria do sono em adultos.

Existem, no entanto, formas comprovadas de apoiar ritmos circadianos saudáveis: exercício físico moderado e regular, cerca de 30 minutos diários, especialmente ao ar livre e antes do meio-dia e atividade física é um dos principais fatores de proteção contra doenças cardíacas e demência.

Portanto, uma das formas mais simples de proteger a saúde cerebral é manter uma rotina regular, dormir bem e praticar exercício físico. Como sugerem os investigadores: agasalhe-se e vá caminhar ao ar livre.

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