Saúde

Ficar bêbado sem beber uns copos? Sim, é possível…

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 5 horas atrás em 12-01-2026

Um estudo recente revelou que certos micróbios intestinais podem produzir álcool dentro do corpo, causando embriaguez em pessoas que não consomem bebidas alcoólicas. A condição, conhecida como Síndrome da Fermentação Intestinal (ABS, na sigla em inglês), é rara e frequentemente mal compreendida, mas agora os cientistas começam a identificar os micróbios e as vias biológicas responsáveis.

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A pesquisa foi conduzida por investigadores do Mass General Brigham, em parceria com a Universidade da Califórnia, San Diego, e publicada nesta quinta-feira na Nature Microbiology. Os especialistas descobriram que, em indivíduos com ABS, certos micróbios intestinais convertem carboidratos em etanol (álcool), que depois entra na corrente sanguínea, causando sintomas de embriaguez.

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Embora pequenas quantidades de álcool possam ser produzidas durante a digestão normal, nos pacientes com ABS os níveis são suficientes para provocar efeitos perceptíveis. A condição é frequentemente negligenciada, já que muitos clínicos desconhecem a doença, o diagnóstico é complexo e o estigma social pode desencorajar a procura de ajuda.

Para avançar na compreensão da doença, a equipe estudou 22 pessoas com ABS, 21 de seus companheiros de casa e 22 indivíduos saudáveis. A análise das fezes durante crises ativas mostrou que os pacientes produziam muito mais etanol do que os outros grupos, sugerindo que testes de fezes possam, no futuro, facilitar o diagnóstico da condição.

O estudo também identificou espécies bacterianas associadas à produção de álcool, incluindo Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, além de enzimas envolvidas em vias de fermentação com níveis elevados durante as crises. Embora a identificação exata dos micróbios causadores em cada paciente ainda seja complexa, a pesquisa abre caminho para tratamentos mais eficazes.

Um caso notável envolveu um paciente que apresentou melhora significativa após um transplante de microbiota fecal, permanecendo sem sintomas por mais de 16 meses após um segundo procedimento combinado com antibióticos. “A Síndrome da Fermentação Intestinal é mal compreendida e há poucos testes e tratamentos. Nosso estudo mostra o potencial do transplante fecal e, ao identificar as bactérias e vias microbianas responsáveis, podemos melhorar o diagnóstico, tratamento e qualidade de vida dos pacientes”, afirmou Elizabeth Hohmann, coautora do estudo e investigadora do Mass General Brigham.

Com essas descobertas, os cientistas esperam transformar a maneira como a ABS é diagnosticada e tratada, oferecendo esperança para quem convive com essa condição rara e muitas vezes invisível.

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