Coimbra

ULS Coimbra “sacode água do capote” no caso de doente no chão das urgências. Atira a culpa para a família

Notícias de Coimbra | 11 horas atrás em 10-01-2026

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra desmentiu este sábado, 10 de janeiro, a notícia que dava conta de que uma doente oncológica terminal teria permanecido deitada no chão do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) por alegada falta de macas.

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Num segundo comunicado, a administração hospitalar afirma que o relato divulgado pela família da utente não corresponde à verdade, baseando-se nos registos clínicos e nos testemunhos dos profissionais de saúde, seguranças e outros intervenientes presentes no local.

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De acordo com a ULS, a situação teve início quando um familiar solicitou uma maca ao enfermeiro da pré-triagem. Após avaliação no local, foi verificado que a doente se encontrava calma, orientada e com capacidade para se manter sentada, tendo sido disponibilizada uma cadeira de rodas, com o apoio de um segurança. A entrada no Serviço de Urgência foi feita com a doente sentada na cadeira de rodas e acompanhada por dois familiares, facto que, segundo a instituição, é corroborado pelos registos e pelos seguranças de serviço.

A ULS esclarece ainda que, num curto intervalo de tempo, um familiar decidiu regressar ao veículo, trazer uma manta, estendê-la no chão e deitar a doente, anunciando a intenção de fotografar e divulgar imagens. Um bombeiro que se encontrava no local alertou de imediato a equipa de enfermagem, que interveio prontamente e procedeu à triagem da utente. A administração hospitalar sublinha que em nenhum momento permitiu, nem permitiria, que uma doente permanecesse no chão por inexistência de meios, independentemente da sua condição clínica.

Relativamente ao atendimento prestado, a ULS de Coimbra refere que a doente recorreu ao Serviço de Urgência em dois momentos distintos e que, em ambos, foi triada com prioridade clínica laranja (muito urgente), de acordo com as queixas apresentadas, tendo sido observada dentro dos tempos-alvo definidos. Na primeira admissão, a triagem ocorreu às 13:45, tendo a doente sido observada pela Cirurgia Geral, medicada, sujeita a exames complementares de diagnóstico, reavaliada e discutida com outra especialidade médica, tendo tido alta às 20:34. Na segunda admissão, dois dias depois, foi triada às 10:34, novamente observada, medicada e reavaliada clinicamente, com alta às 13:43, acompanhada de orientações e articulação para seguimento adequado.

A instituição garante que, em ambos os episódios, a doente foi avaliada, medicada e acompanhada de acordo com as boas práticas clínicas e os protocolos em vigor. No mesmo comunicado, a ULS de Coimbra rejeita de forma clara as acusações dirigidas aos seus profissionais, salientando que as equipas do Serviço de Urgência têm enfrentado turnos particularmente exigentes, num contexto de elevada pressão assistencial, atuando com profissionalismo, humanidade e respeito pelos doentes.

Horas antes, a mesma instituição emitiu um primeiro comunicado a referir que ia ” abrir um processo de averiguações após a divulgação recente de um relato referente a uma situação ocorrida no Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

A denúncia foi feita nas redes sociais pelo filho da utente com “cancro generalizado na zona abdominal”.
O homem publicou uma fotografia, explicando que as dores eram insuportáveis e que só naquela posição a mulher conseguia sentir-se melhor enquanto aguardava por cuidados médicos.

O Notícias de Coimbra falou com a Alice Aleixo, tia da doente. Numa entrevista exclusiva ao nosso jornal, esta descreve os momentos de angústia vividos.

“Ver a minha sobrinha no chão, a sofrer, e ouvir respostas desumanas, foi insuportável. Fizemos tudo o que pudemos para a proteger, mas isto é algo que ninguém devia passar. A saúde em Portugal precisa mudar.”, afirmou emocionada.

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