Os problemas no setor da saúde continuaram a dominar a campanha eleitoral para as presidenciais, no dia em que entraram em cena os líderes e outras figuras de vários partidos políticos.
No final de uma visita ao mercado de Braga, António José Seguro pediu “coragem política” para dar prioridade à saúde, inclusive em detrimento de outras áreas, porque “não pode faltar dinheiro” neste setor.
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“Pode faltar dinheiro para muita coisa no nosso país. Não pode faltar dinheiro para cuidar da saúde dos portugueses. Essa é uma prioridade e a coragem política de que eu falo é dizer se esta é a prioridade, porventura, outras áreas, não são prioridade. O país não pode ter 100 prioridades”, defendeu o candidato apoiado pelo PS.
Por sua vez, Marques Mendes disse compreender as críticas “perfeitamente legítimas” que tem ouvido sobre saúde, mas defendeu que o problema só se resolve com mudanças estruturais, considerando que um chefe de Estado não tem de avaliar ministros.
“Eu compreendo as críticas das pessoas, as pessoas dirigiram-se a mim com preocupações mais do que legítimas (…) Enquanto não forem introduzidas algumas mudanças estruturais na organização e na gestão do Serviço Nacional de Saúde, eu acho que, infelizmente, vários destes problemas vão manter-se”, disse o candidato apoiado pelo PSD/CDS em Viana do Castelo.
Nas Caldas da Rainha, o candidato presidencial Cotrim Figueiredo disse não querer ser injusto com Marcelo Rebelo de Sousa, mas considerou que a pressão que exerce sobre o Governo em matéria de saúde é insuficiente.
Henrique Gouveia e Melo voltou hoje a atacar Seguro, criticando o “casamentos de conveniência” no PS, num discurso em que lembrou que o candidato apoiado pelo Partido Socialista falou sobre “interesses escondidos” no seu partido.
“Sou um homem ideologicamente ao centro, mas não sou do centrão dos interesses”, declarou Gouveia e Melo, atacando a seguir António José Seguro, embora sem o mencionar.
Já André Ventura remeteu para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro.
“Eu não quero socialistas em lugar nenhum do país. Vai ter a consciência de Montenegro que decidir se numa segunda volta prefere ter alguém que não é do partido dele, mas que conseguiu trabalhar com ele em muitos diplomas fundamentais em prol do país, ou se quer ter um socialista que nós combatemos, que nós tentámos derrotar e que nós tentámos evitar que fosse Governo. Vai ser uma questão de consciência”, defendeu o presidente do Chega em Portalegre.
Em Lisboa, Catarina Martins, para quem os candidatos da direita parecem competir numa espécie de “Montenegrómetro”, apelou ao voto “em quem faz este país” nas eleições presidenciais, referindo-se à sua própria candidatura, e criticou os opositores à direita, afirmando que, sem esquerda, a campanha seria de “selvajaria e lama”.
António Filipe considerou que não pode ser acusado de impedir a convergência à esquerda e que essa responsabilidade pode ser atribuída a outras candidaturas que apareceram posteriormente.
“Não posso ser acusado de ter qualquer iniciativa no sentido da divisão, no sentido de impedir a unidade, impedir a convergência e, portanto, se essa responsabilidade pode ser assacada, será a candidatura que apareceram posteriormente”, afirmou o candidato apoiado pelo PCP em Ermesinde.
Nas Caldas das Rainha, Jorge Pinto também apelou ao voto dos eleitores de direita e do PAN para recompensar quem faz campanha de forma “séria e informada” e disse ter “muita certeza” de que terá um “bom resultado”.
O sétimo dia de campanha ficou também marcado pela entrada em cena de líderes partidários, como o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, o coordenador do BE, José Manuel Pureza e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, além do número dois do Governo, Paulo Rangel e do ex-presidente do PSD Rui Rio.
A campanha eleitoral, que arrancou no domingo, termina em 16 de janeiro.
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