Coimbra

“Ver a minha sobrinha deitada no chão das urgências dos HUC a sofrer foi insuportável”

Notícias de Coimbra | 5 horas atrás em 10-01-2026

Uma mulher de 59 anos, doente oncológica em fase terminal, foi obrigada a deitar-se no chão enquanto aguardava atendimento nas urgências do Hospital da Universidade de Coimbra.

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Alice Aleixo, tia da paciente, contou ao Notícias de Coimbra os momentos de angústia vividos pela família.

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“O filho ligou para o Saúde 24 e não atenderam. Ligou para os bombeiros de Coimbra e disseram que não havia ambulâncias disponíveis. Contactou Condeixa e disseram que não faziam transporte fora do concelho. Não havia alternativa. Tivemos de agir por nós próprios”, contou, visivelmente emocionada.

“Não havia macas disponíveis. Peguei num cobertor, deitei a minha sobrinha no carro da minha filha e transportei-a até à entrada do hospital. Só assim conseguimos que a atendessem”, acrescentou.

A mulher luta contra vários tipos de cancro desde os 36 anos, incluindo cancros da garganta, ovário, útero e intestino. Atualmente, encontra-se em fase terminal, com dores insuportáveis e fragilidade extrema. “Ela está a piorar dia após dia. É uma força da natureza, mas ninguém devia passar por isto”, afirmou Alice.

No hospital, a situação manteve-se caótica. “Pedi uma maca e disseram-me que teria de esperar porque havia muita gente à frente”, diz Alice, referindo que foi ao carro buscar uma manta para deitar a sobrinha no chão, ” de barriga para baixo, que é a posição em que se sente melhor”.

Após insistência, a paciente recebeu finalmente uma maca e foi atendida. “Foi medicada, recebeu soro e analgésicos, e apenas então o atendimento se normalizou”, explicou Alice.

A família critica duramente a gestão do hospital e a falta de prioridade para doentes terminais. “É revoltante ver uma pessoa em fase terminal ser tratada assim. Há falta de macas, camas e respostas humanas. Isto não se justifica. A saúde devia estar em primeiro lugar”, afirmou.

Alice concluiu emocionada: “Ver a minha sobrinha no chão, a sofrer, e ouvir respostas desumanas, foi insuportável. Fizemos tudo o que pudemos para a proteger, mas isto é algo que ninguém devia passar. A saúde em Portugal precisa mudar.”

A situação aconteceu na quinta-feira, 8 de janeiro, e este sábado, a mulher com doença terminal regressou novamente às urgências.

Em resposta, a ULS de Coimbra – Unidade Local de Saúde de Coimbra, refere que irá abrir um processo de averiguações. O objetivo é apurar, com rigor e serenidade, todas as circunstâncias associadas ao caso, identificando possíveis melhorias nos processos, na organização e na experiência dos utentes.

O processo “será acompanhado de forma próxima pelo Serviço de Humanização e pelo Provedor do Utente, assegurando a escuta das partes envolvidas, a análise dos procedimentos adotados e a formulação de propostas de melhoria, sempre que tal se revele necessário”

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