Saúde

Prazer que mata? Presunto e bacon associados a doenças

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 09-01-2026

Dois grandes estudos franceses publicados esta quinta-feira sugerem que o consumo de alguns conservantes alimentares comuns pode estar associado a um risco ligeiramente maior de desenvolver cancro e diabetes tipo 2.

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O primeiro estudo, publicado na revista BMJ, analisou os efeitos de conservantes amplamente utilizados em alimentos e bebidas industrializados na Europa e encontrou associações com maior incidência de câncer em geral, de mama e de próstata. Entre os conservantes destacados estão nitritos e nitratos, frequentemente usados para curar produtos como presunto, bacon e linguiça. A ligação mais forte foi observada entre o nitrito de sódio e o cancro de próstata, com um aumento de risco estimado em cerca de um terço.

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O segundo estudo, publicado na Nature Communications, identificou uma relação entre alguns aditivos alimentares e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, destacando o sorbato de potássio, usado para impedir o crescimento de mofo e bactérias, que foi associado a um risco duas vezes maior de desenvolver a doença.

Ambos os estudos basearam-se num projeto de investigação em curso, no qual mais de 100.000 franceses preencheram regularmente questionários sobre a sua dieta. Os investigadores sublinharam que a mensagem principal para o público é preferir alimentos menos processados ao fazer compras.

Apesar dos resultados, especialistas externos pedem mais investigação e alertam que estudos observacionais não podem provar uma relação direta de causa e efeito. Tom Sanders, especialista em nutrição do King’s College London, ressalvou que os resultados podem refletir a dificuldade de controlar outros fatores conhecidos por aumentar o risco, como o consumo de carne processada e álcool.

Sanders sugeriu que, no futuro, poderia ser útil rotular alimentos com nitratos ou nitritos com um aviso de saúde, semelhante às medidas adotadas recentemente no Reino Unido, onde foram proibidos anúncios diurnos de alimentos e bebidas ricos em gordura, sal e açúcar na TV, rádio e internet.

Os investigadores destacam que, embora os riscos observados sejam moderados — muito inferiores, por exemplo, ao impacto do tabagismo intenso sobre o câncer de pulmão —, estes estudos reforçam a necessidade de atenção à composição dos alimentos industrializados e do seu consumo moderado.

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