Um novo estudo sugere que a ansiedade pode não ser apenas uma questão psicológica, mas também química. A pesquisa, uma meta-análise publicada na revista Biological Psychiatry, identificou que pessoas com transtornos de ansiedade apresentam níveis mais baixos de colina no cérebro, um nutriente essencial para a saúde cerebral.
Segundo Jason Smucny, coautor do estudo e professor assistente de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, esta é a primeira meta-análise a revelar um padrão químico no cérebro em pessoas com ansiedade. “Os resultados sugerem que abordagens nutricionais, como a suplementação adequada de colina, poderão ajudar a restaurar a química cerebral e melhorar os resultados para os pacientes”, explicou.
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A colina é um nutriente essencial para o funcionamento ideal do cérebro. É componente das membranas celulares e matéria-prima para neurotransmissores ligados à concentração e memória. Mais importante ainda, ajuda a manter a mielina, a bainha protetora que isola as fibras nervosas.
Embora o nosso fígado produza alguma colina, não é suficiente para suprir as necessidades diárias, sendo necessário obtê-la através da alimentação. Alimentos como ovos, aves, feijões, frutos secos e vegetais crucíferos são boas fontes.
Os investigadores explicam que os transtornos de ansiedade geram um estado de excitação cronicamente elevada, com excesso de hormonas do stress, como a norepinefrina. Esse estado estimula o reparo e o crescimento da mielina, um processo que consome colina. Consequentemente, cria-se um ciclo vicioso: ansiedade consome colina, deixando o cérebro mais vulnerável a novos episódios de ansiedade.
Há ainda uma ligação com os ácidos gordos ómega-3, que ajudam a transportar a colina para o cérebro. Isso pode explicar por que suplementos de óleo de peixe têm mostrado algum efeito na redução da ansiedade, ajudando a restabelecer as vias de fornecimento de colina.
Os investigadores salientam que o estudo não prova que tomar suplementos de colina cura a ansiedade, apenas mostra uma associação entre baixos níveis de colina e a doença. Estudos futuros deverão avaliar se a suplementação adequada pode ter benefícios terapêuticos.
“O que isto mostra é que a ansiedade tem uma componente física real”, explicou Maddock, um dos autores. “Não é apenas ‘preocupação excessiva’ — o cérebro pode estar em falta de um nutriente essencial.”
O estudo destaca também que a ansiedade é uma das doenças mentais mais comuns, afetando cerca de 30% dos adultos nos Estados Unidos, muitas vezes sem tratamento adequado. Analisar a dieta e assegurar a ingestão de colina e ómega-3 pode ser uma abordagem complementar útil.
Segundo os investigadores, alimentos ricos em ómega-3, como o salmão, podem ser especialmente eficazes na promoção da saúde cerebral e do equilíbrio da colina.
Esta investigação reforça a ideia de que acalmar a mente pode começar por nutrir o cérebro. Garantir uma dieta rica em colina e ácidos gordos essenciais pode ser um passo simples, mas potencialmente significativo, para quem sofre de ansiedade.
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