Empresas
Há 35 anos, um estudante criou o primeiro vírus da internet e quase derrubou a rede mundial
A 2 de novembro de 1988, a internet, ainda conhecida como ARPANET, sofreu o seu primeiro grande incidente: o Caso Morris Worm, que afetou cerca de 10% da rede mundial da época e gerou prejuízos estimados em 10 milhões de dólares.
O responsável foi Robert Tappan Morris, estudante da Universidade Cornell com 23 anos. O que começou como uma experiência para “medir o tamanho da internet” acabou por se tornar o primeiro worm a causar danos em larga escala.
O programa criado por Morris tinha três vetores de ataque:
PUBLICIDADE
- Sendmail – explorava um modo de depuração no sistema de e-mail.
- Finger – aproveitava uma falha de buffer overflow para identificar utilizadores.
- Adivinhação de senhas – tentava combinações simples, como nomes de utilizador ou sequências numéricas.
O worm estava programado para se replicar mesmo em máquinas já infetadas, tornando-se agressivo e consumindo todo o processamento das máquinas afetadas. O resultado: cerca de 6.000 computadores ficaram inutilizados, incluindo sistemas do MIT, NASA e RAND. A única forma de conter o programa foi desconectar fisicamente os cabos de internet em várias universidades, pode ler-se no ZAP.
O incidente marcou a primeira cobertura televisiva sobre um malware e ajudou a popularizar o termo “vírus” na imprensa, embora tecnicamente fosse um worm.
Morris, filho de Robert Morris Sr., cientista-chefe da NSA, acabou levado a julgamento. Tornou-se o primeiro condenado sob a Lei de Abuso e Fraude Computacional dos EUA (1986), recebendo 3 anos de liberdade condicional, 400 horas de serviço comunitário e multa de 10.050 dólares.
O caso levou à criação do CERT/CC (Computer Emergency Response Team) pela DARPA na Universidade Carnegie Mellon, estabelecendo protocolos de segurança que moldariam a proteção da internet.
O incidente alertou desenvolvedores para a importância da segurança em software e preparou a internet para se tornar uma infraestrutura crítica para bancos, hospitais e governos.
Hoje, Robert T. Morris é professor no MIT e cofundador da Y Combinator, uma das maiores aceleradoras de startups do mundo, mostrando que, mesmo de um erro monumental, pode nascer uma carreira de sucesso.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE