Saúde

Descobertos 2 novos tipos de Esclerose Múltipla

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 dias atrás em 05-01-2026

Um grupo de investigadores da University College London (UCL) e da Queen Square Analytics anunciou a identificação de dois subtipos biológicos até agora desconhecidos de esclerose múltipla (EM), combinando inteligência artificial, ressonâncias magnéticas e testes sanguíneos simples.

A descoberta, publicada na revista Brain, pode ajudar os médicos a adaptar tratamentos de forma mais precisa a cada doente, marcando um avanço importante na compreensão desta doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

O estudo analisou cerca de 600 pessoas com EM, focando-se na proteína cadeia leve de neurofilamento sérico (sNfL), liberada quando há lesão das células nervosas e que indica o grau de atividade da doença, pode ler-se na Euro News.

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Usando um modelo de aprendizagem automática denominado SuStaIn, os investigadores combinaram os níveis de sNfL com imagens cerebrais, revelando dois subtipos distintos:

  • sNfL precoce: os níveis elevados da proteína surgem logo no início da doença, acompanhados de danos no corpo caloso. Estes doentes desenvolvem lesões cerebrais rapidamente, sugerindo uma forma mais ativa e agressiva de EM.
  • sNfL tardio: observa-se atrofia cerebral em regiões como o córtex límbico e substância cinzenta profunda antes de os níveis de sNfL aumentarem. Este padrão evolui mais lentamente, com lesões nervosas visíveis apenas numa fase posterior.

Segundo Arman Eshaghi, investigador da UCL e autor principal do estudo: “A EM não é uma única doença e os subtipos atuais não descrevem as alterações tecidulares subjacentes. Com este modelo de IA, conseguimos mostrar, pela primeira vez, dois padrões biológicos claros de EM, ajudando os clínicos a perceber em que ponto da doença está cada paciente e quem precisa de vigilância ou tratamento mais precoce.”

No futuro, os doentes com EM do tipo sNfL precoce poderão receber terapias mais eficazes desde cedo e ser acompanhados de perto. Já os pacientes com sNfL tardio poderão beneficiar de abordagens que protejam as células cerebrais e abrandem a degeneração.

Caitlin Astbury, da MS Society, comentou ao The Guardian: “É um avanço importante na nossa compreensão da EM. Até agora, as definições baseavam-se nos sintomas clínicos e não refletiam com precisão o que se passa no organismo, dificultando tratamentos eficazes.”

Apesar da existência de cerca de 20 opções de tratamento para a EM remitente, muitas pessoas com formas progressivas continuam com opções limitadas ou inexistentes. A nova abordagem pode abrir caminho para tratamentos personalizados capazes de travar a progressão da doença.

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