Portugal

Depois das festas, começa a viagem mais dura para os emigrantes portugueses

Notícias de Coimbra | 2 dias atrás em 03-01-2026

 A Associação Cap Magellan realizou hoje uma ação de sensibilização, promovendo conselhos de segurança rodoviária e sorrisos, junto dos portugueses que se preparavam para atravessar a fronteira de Vilar Formoso rumo ao país de acolhimento.

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“A ideia é lembrar os condutores dos conselhos básicos de segurança rodoviária, mas que, por andarem tantas vezes na estrada e, por vezes, com excesso de segurança, acabam por cair no esquecimento ou até facilitar”, justificou Guilherme Pousa.

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Para este voluntário da associação Cap Magellan, lusodescendente, nascido em Paris há 31 anos, e com origens em Vinhais, distrito de Bragança, são “alertas sempre importantes para quem tem muitas horas de viagem” para regressarem ao trabalho.

Pedro Silva é um desses portugueses. Saiu ao início da manhã com a mulher das Caldas da Rainha, distrito de Leiria, e até Wolfsburg, na Alemanha, ainda tinha mais um dia de caminho.

“Vou fazer várias paragens, mas, em França, daqui a 12 horas, paramos para dormir, num hotel onde já nos conhecem, porque dormirmos sempre lá, e depois são mais 12 horas até Wolfsburg”, contou à agência Lusa.

Pedro Silva trabalho no setor automóvel e, para as viagens a escolhe “sempre carros novos, com bom nível de segurança” e à agência Lusa admitiu que conduzir na Alemanha “é um caos, em França e Espanha é tranquilo e, quando se chega a Portugal percebe-se logo, as estradas deixam um bocadinho a desejar”.

No veículo seguem os animais, “dois cães e os gatos”, e as “malas cheias de um pouco de Portugal, para amenizar as saudades” de casa e da família.

Em menos de duas horas, a associação distribuiu 50 sacos com conteúdo informativo, em parceria com voluntários da Associação Nacional dos Alistados das Formações Sanitárias (ANAFS) e com o apoio da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Para os militares, esta ação de sensibilização, “Sécur’ Noël 2025: Festas seguras”, “é um bom complemento ao trabalho da GNR e são civis a lembrar outros condutores dos perigos do telemóvel e, acima de tudo, do cansaço e excesso de velocidade”.

“Há portugueses habituados a outras estradas, outros pisos e regras e chegam a Portugal e não é bem a mesma coisa. Ainda bem que estas associações fazem estas ações e até podia haver mais”, defenderam.

Entre os 50 condutores contactados pelos voluntários havia “uma boa parte” oriunda do distrito de Leiria, e já contavam com “quase três horas de viagem, mas agora é diferente, já não é Portugal” e a 12 quilómetros da fronteira, na última área de serviço da A25, em Portugal, pararam para “último bom café”.

“Depois de passar a fronteira é diferente. Já deixámos a família e os nossos para trás, já não estamos em casa”, assumiu Carla Ferreira, que, juntamente com o marido, passou os dias entre o Natal e o Ano Novo entre Lisboa e o Alentejo.

“Tínhamos de estar com a família dos dois lados, com os amigos. No verão vimos de avião, o carro só vem nas férias do Natal, por causa das prendas. Das que trazemos e das que levamos”, revelou o casal que seguia para França, onde passará a noite, para depois rumar ao Canal da Mancha para seguir para a Grã Bretanha.

Marisa Dias saiu de Coimbra com o marido e filha e, pela primeira vez, a mãe, porque há cinco anos a viverem no sul de França, agora trabalha, “e a avó vai ser uma ajuda preciosa até encontrar uma creche e sempre é outro conforto” emocional.

Rumo à Bélgica estava Luís Gonçalves com a família. “Saímos cedo de Sintra e vamos passar a noite a Bordéus [França] a um hotel. Não dormimos no carro, o corpo precisa de descanso e para isso o melhor é mesmo dormir numa cama”, reconheceu.

Uma decisão partilhada entre os restantes condutores, “porque para se ter uma melhor atenção na estrada o melhor mesmo é dormir bem, porque o que não falta na estrada é excesso de velocidade e indisciplina e a atenção é fundamental”.

“Dormir no carro está fora de questão, ainda por cima encolhidos no meio de todos estes ‘souvenirs’ portugueses que nos ajudam a ter menos saudades de casa. Dormir sentado só permite descansar os olhos, mas para conduzir é preciso mais do que isso”, partilharam à agência Lusa alguns condutores.

Uma decisão que os militares da GNR enalteceram à agência Lusa. “É muito bom sinal. É bom ver que os condutores estão mais atentos e sensibilizados para o que é importante e o descanso é fundamental para as muitas horas seguidas de viagem”.

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