Descubra os encantos de uma construção religiosa simples, mas com uma história encantadora, a capela de S. Pedro de Balsemão, que fica a cerca de 1 hora e 45 minutos de Coimbra.
O nosso país sempre esteve muito ligado à religião. De norte a sul de Portugal Continental e nas ilhas, podemos encontrar provas dessa ligação. Não faltam construções religiosas.
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Estes espaços tiveram (e, provavelmente, ainda têm) uma importância capital para o desenvolvimento das aldeias, das vilas e das cidades onde foram construídos. Muitos dos templos espalhados pelo país apresentam uma história fantástica. No entanto, nesta matéria, há um monumento que se destaca pela longevidade apresentada.
Apesar de se tratar de uma construção religiosa simples, apresenta uma história longa e encantadora.
É mais difícil do que se julga datar monumentos mais antigos. A ausência de documentação é um grande problema, pois são poucos os documentos oficiais que permitam atestar a longevidade dessas construções. Ter documentos com a data de inauguração de construção religiosa ou de outro monumento facilitaria a tarefa.
Ao longo do tempo, também foram realizadas alterações nas igrejas (e noutros monumentos). Por vezes, foram totalmente reconstruídas. Ora, esses templos que foram modificados acabam por misturar estilos arquitetónicos.
Por isso, tratam-se de construções que se tornam difíceis de avaliar, mesmo por especialistas, complicando muito a tarefa de identificar uma data concreta de inauguração.
A capela mais antiga de Portugal é a capela de São Pedro Balsemão. Ela encontra-se presente em Lamego. Esta construção religiosa conta com mais de um milénio. A sua antiguidade permitiu a este monumento ser testemunha silenciosa da história do nosso país.
A capela de São Pedro Balsemão está classificada como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º7 586, DG, 138, de 8 de julho de 1921. É também importante referir que a gestão da capela mais antiga de Portugal encontra-se a cargo da Direção Regional do Porto do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitetónico).
A capela de São Pedro Balsemão conta com mais de 1000 anos. Foi erguida nos séculos VII e VIII. Apesar deste templo ter sido muito modificado ao longo do templo, a capela de São Pedro Balsemão é considerada a mais antiga em território nacional.
A origem deste templo remonta à época da Reconquista. A capela de São Pedro Balsemão revela-se assim um dos poucos exemplares da arquitetura religiosa da Alta Idade Média que ainda permanecem connosco. O mesmo acontece com outros templos antigos, como a igreja de São Frutuoso, presente em Braga (século VII), e a de S. Pedro de Lourosa, situada em Oliveira do Hospital (século X).
Atualmente, a capela mais antiga de Portugal ainda conserva o santuário, datado do século VII, e com origens visigóticas. Na atual traça deste templo, estão apresentados os gostos das épocas onde existiram modificações.
O templo mantém preservada a estrutura primitiva na entrada da capela-mor, onde se destaca o emprego de pedras de grandes dimensões. Elas foram colocadas no alto do remate dos pés direitos dos muros.
Existem no templo referências arquitetónicas moçárabes, nomeadamente o arco com moldura no intradorso. A decoração de base geométrica e profusa apresentada nesta construção tem origens suevo-visigóticas.
Existem outros elementos da decoração que merecem ser destacados, como rosetas, cruciformes, círculos, meandros, ornatos em dentes de lobo e corda, numa profusão de elementos de inspiração asturiana.
Há uma afinidade evidente deste templo com a igreja moçárabe de S. Pedro de Lourosa, uma construção religiosa datada de 912.
O templo foi remodelado em 1643. Na época, Luís Pinto de Sousa Coutinho e a esposa, os morgados da região, mandaram proceder à reedificação desta construção religiosa e à sua integração no solar dos viscondes de Balsemão.
O aspeto exterior que atualmente pode ser contemplado por quem visita esta capela ainda é uma herança desse período. A sobriedade é a imagem que fica para quem observa o exterior do templo.
O acesso ao seu interior é realizado por portas laterais. A ampla escadaria é um elemento importante. Na porta da fachada norte, podemos encontrar três pedras de armas dos morgados. Outro pormenor relevante está na singela sineira que se encontra no telhado.
No interior da capela mais antiga de Portugal, podemos encontrar várias epígrafes funerárias romanas. Um dos destaques vai para o término augustal do imperador Cláudio, um elemento datado do ano 43. A preocupação romana em conservar, reutilizar e apresentar estes pormenores prestigiantes fica bem patente.
D. Afonso Pires era bispo do Porto no século XIV. Então, nessa época, ele elegeu a capela para sua sepultura. O túmulo deste bispo é uma construção feita em granito lavrado. Este elemento foi colocado no extremo de uma nave lateral.
No túmulo de D. Afonso Pires, encontram-se representadas três cenas da vida de Cristo, nomeadamente a Ceia (que se apresenta na face esquerda), o Calvário (situado na face direita) e o Salvador abençoando a Virgem coroada (presente na testeira).
Curiosamente, D. Afonso Pires mandou erguer uma capela ou altar em honra de Santa Maria, onde foi colocada uma imagem em pedra de Ança de Nossa Senhora do Ó. No século V, tratou-se da Virgem Grávida, que ainda lá se encontra.
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