Saúde

Ordem dos Médicos alerta que nomeações nas ULS devem ser técnicas e não políticas

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 02-01-2026

O bastonário da Ordem dos Médicos alertou hoje que as nomeações para os conselhos de administração das Unidades Locais de Saúde devem basear-se em competência, experiência e conhecimento do terreno, e não em “amiguismo” com base em critérios político-partidários.

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A Direção Executiva do SNS avançou à agência Lusa que dez conselhos de administração de ULS terminaram os seus mandatos no dia 31 de janeiro, entre os quais a ULS de São José, em Lisboa, para o qual vai ser nomeado, segundo o jornal Observador, Miguel Paiva, militante do PSD, substituindo na presidência Rosa Valente de Matos.

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Ressalvando que não se pronuncia sobre casos concretos, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, reiterou a posição da OM sobre a necessidade da nomeação dos profissionais para conselhos de administração de hospitais serem baseadas em “critérios técnicos, de competência, de conhecimento do terreno, de experiência o e não com base no ‘amiguismo’ e com base em critérios político-partidários”.

“Isso é muito mau para a estabilidade do Serviço Nacional de Saúde e para a capacidade e eficiência do SNS”, afirmou, vincando que a OM vê sempre como “muita desconfiança” quando conselhos de administração de hospitais que “têm tido um bom desempenho e estão a ser substituídos””.

“A Ordem dos Médicos vê sempre estas decisões com muita desconfiança, porque não estão baseadas, efetivamente, sobre estes critérios fundamentalmente técnicos, de experiência, de qualidade técnica destes dirigentes”, disse, sustentando: “Temos que acabar com estes ciclos de ‘amiguismo’, de politiquismo, nas nomeações dos cargos, que têm que ser cargos técnicos”.

O bastonário afirmou que há cargos, como os de ministros, que são de natureza política e resultam de escolhas políticas, mas defendeu que a gestão no terreno e a administração local do SNS “não pode ser política”.

“Obviamente que são cargos de confiança do ministro da Saúde e da Direção Executiva, mas têm que ser cargos, têm que ser pessoas, obviamente, escolhidas pela sua competência e não pela cor do seu cartão partidário”, rematou o bastonário dos médicos.

Segundo a Direção Executiva do SNS, terminaram os mandatos dos conselhos de administração das ULS do Nordeste (Bragança), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), S. João e Sto António (Porto), Matosinhos, Coimbra, Médio Tejo (Abrantes), S. José (Lisboa), Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) e Baixo Alentejo (Beja).

A direção executiva apenas refere que os membros do conselho de administração da ULS de Trás-Os-Montes e Alto Douro foram designados no Conselho de Ministros de 11 de dezembro, não comentando “nomeações que ainda não aconteceram”.

Numa mensagem enviada aos funcionários da ULS São José, citada em vários órgãos de comunicação social, Rosa Valente Matos, atual administradora da ULS São José, confirmou que está de saída depois de seis anos no cargo.

“Encerramos este ciclo com um claro sentido de dever cumprido por todas estas conquistas, mas também com um orgulho imenso por fazermos para sempre parte da história de uma instituição que faz a diferença na vida de milhares de pessoas todos os dias”, salientou a responsável que está de saída da liderança desta ULS de Lisboa depois de seis anos no cargo.

Em declarações ao Observador, Rosa Valente de Matos, militante socialista e membro do Secretariado Nacional do PS, afirmou que não foi dada qualquer justificação, tendo sido “uma vontade do Governo e da direção executiva do SNS”.

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