Os partidos de esquerda manifestaram-se hoje preocupados com a “degradação dos serviços públicos”, nomeadamente no acesso à saúde e com a crise da habitação, e pediram uma “mudança de rumo” para o país.
Numa reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Pedro Guerreiro, do secretariado do Comité Central do PCP, criticou a “degradação dos serviços públicos”, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da escola pública, “que está na raiz crescente de injustiças e desigualdades” e que “ataca quem trabalha”.
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Lembrando ainda as alterações à legislação laboral que o Governo quer levar a cabo, Pedro Guerreiro recordou a greve geral de 11 de dezembro, que juntou CGTP e UGT, e sublinhou que “a luta pela retirada total” vai continuar.
“É justo o sentimento de indignação e de revolta que é sentido por muitos, aqueles que sentem e que não pactuam, que não são indiferentes às injustiças e desigualdades no país”, acrescentou, fazendo ainda um apelo ao voto em António Felipe, apoiado pelo PCP, nas eleições presidenciais de 18 de janeiro, e pedindo uma “mudança de rumo”.
A líder parlamentar e co-presidente do Livre, Inês Mendes Lopes, comparou o discurso do Presidente da República ao do primeiro-ministro, referindo que Marcelo Rebelo de Sousa se focou “nas qualidades dos portugueses” e naquilo que conseguiram atingir coletivamente ao longo destes últimos anos” em “contraponto” com Luís Montenegro, que se centrou na “mentalidade de Cristiano Ronaldo, muito mais focada na competição e em algum individualismo”.
Inês Mendes Lopes destacou ainda que o chefe de Estado se focou na saúde, habitação e igualdade, áreas que, do seu ponto vista, “o Governo tem falhado redondamente”, lembrando o aumento do número de sem-abrigo, causado em parte “por força do preço da habitação”.
A co-presidente do Livre disse ainda que 2026 “vai ser um ano peculiar”, realçando os 50 anos da elaboração da Constituição e os 40 anos da entrada na (agora) União Europeia.
“São precisas políticas novas e caras novas”, apontou, defendendo ainda que “é preciso procurar alianças novas”.
Pela voz do PAN, Inês Sousa Real salientou que o discurso do Presidente da República transmitiu uma clara “preocupação com aquilo que é o futuro do país, quer relativamente à escolha das presidenciais, quer relativamente ao atual Governo”.
A deputada única do PAN destacou os problemas dos portugueses no acesso à saúde e às creches e das empresas, que não conseguem “aceder de forma igualitária aos fundos comunitários”, referindo que há “um longo caminho pela frente” nessas matérias, assim como no combate à pobreza ou à violência doméstica.
Inês Sousa Real afirmou ainda o atual chefe de Estado tinha “um turbilhão não só de emoções, mas acima de tudo de desilusões” e “ficará marcado para a história como um Presidente dissolvente”, mas também “um Presidente bastante próximo das pessoas”.
Por seu lado, Miguel Cardina, membro da comissão política do Bloco de Esquerda (BE), considerou que esta “foi uma oportunidade perdida” da parte de Marcelo Rebelo de Sousa para “acentuar as grandes preocupações que a generalidade dos portugueses sente”, nomeadamente ao nível do custo da habitação, da saúde ou dos “ataques aos direitos laborais”.
“Esperamos que no próximo ano, no discurso de Ano Novo, possamos ter uma Presidente da República que nos fale de outras coisas. (..) que nos fale de como se conseguiu derrotar [as alterações a] o Código do Trabalho, nos fale de qual é o pacto, quais são os compromissos necessários para se ter um SNS que efetivamente funcione e que seja um pilar essencial da democracia, como é que vamos construir um país onde todas as pessoas que aqui vivem, que aqui trabalham, tenham lugar”, disse, num apelo implícito ao voto em Catarina Martins, apoiada pelo BE.
Na sua última mensagem de Ano Novo como chefe de Estado, feita em direto a partir do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou hoje o desejo de que 2026 seja um ano com mais saúde, educação, habitação, justiça, tolerância e concordância em Portugal, com ainda mais emprego e menos pobreza.
O Presidente disse esperar, em termos globais, “um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade”.
“O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal. Ano novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade”, acrescentou, pedindo também “mais tolerância, mais concordância” e “sentido de coesão nacional”.
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