Portugal

Incêndios florestais poluem o ar mais do que se calculava 

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 meses atrás em 29-12-2025

Os incêndios florestais e os controlados em áreas selvagens emitem quantidades “substancialmente maiores” de gases poluentes e partículas em suspensão do que se calculava, indica um estudo publicado hoje na revista Environmental Science & Technology.

PUBLICIDADE

Realizada por uma equipa internacional liderada por cientistas da Universidade Tsinghua, em Pequim, na China, a investigação conclui que a poluição do ar proveniente dos incêndios tem sido subestimada durante décadas.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

“As nossas novas estimativas aumentam as emissões de compostos orgânicos provenientes de incêndios florestais em aproximadamente 21%”, afirma Lyuyin Huang, investigadora da Escola de Ambiente da Universidade de Tsinghua e primeira autora do estudo, citada pela agência noticiosa espanhola EFE.

Os incêndios florestais libertam uma mistura complexa de vapor de água, cinzas e compostos à base de carbono para o ar, sendo alguns destes gases denominados compostos orgânicos voláteis (COV).

Os COV que se evaporam e se transformam em gases a temperaturas mais elevadas são denominados de compostos orgânicos intermédios e semi-voláteis (COIV e COSV, respetivamente) e formam partículas finas (poluentes que podem ser prejudiciais se inalados) mais facilmente do que os primeiros.

No entanto, segundo o trabalho divulgado hoje, até agora, a maioria dos estudos que avaliaram as emissões de incêndios florestais negligenciaram os COIV e os COSV devido à sua grande quantidade.

A equipa liderada por Shuxiao Wang, da Escola de Estudos Ambientais da Universidade de Tsinghua, decidiu calcular as emissões de COIV e COSV juntamente com as de COV para obter uma melhor compreensão do impacto dos incêndios florestais na qualidade do ar, na saúde e no clima.

Para tal, os investigadores recorreram a uma base de dados da área de terra queimada por incêndios em florestas, pastagens e turfeiras, de 1997 a 2023, tendo recolhido dados sobre COV, COIV e COSV e outros compostos orgânicos de volatilidade extremamente baixa emitidos quando cada tipo de vegetação arde.

No caso dos tipos de vegetação sem medições de campo, os cientistas basearam-se em experiências laboratoriais para prever os compostos orgânicos libertados.

Combinando estes conjuntos de dados e calculando as emissões anuais em todo o mundo, a equipa estimou que os incêndios florestais libertaram uma média de 143 milhões de toneladas de compostos orgânicos para o ar em cada um dos anos estudados, mais 21% do que indicavam as estimativas anteriores.

O estudo também identifica várias regiões com elevadas emissões provenientes tanto de incêndios florestais como de incêndios provocados pelas atividades humanas na Ásia equatorial, nos países do Norte de África e do Sudeste Asiático.

“O inventário fornece uma base para uma modelação mais detalhada da qualidade do ar, avaliação dos riscos para a saúde e análise de políticas relacionadas com o clima”, adianta Lyuyin Huang.

PUBLICIDADE

publicidade

PUBLICIDADE