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Presépio de sal transforma artesanato em espetáculo de Natal

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 minutos atrás em 30-11-2025

Imagem: Castro Marim FB

A valorização de produtos e ofícios tradicionais que marcam a identidade do território é a ideia-chave na origem do presépio de sal de Castro Marim, que abre ao público na segunda-feira, disse à Lusa a presidente da Câmara.

O presépio vai estar em exibição num dos principais espaços culturais do município, a Casa do Sal, em Castro Marim, no distrito de Faro, e é uma forma de valorizar a identidade do concelho, aliando-a à celebração de um período festivo familiar, como o Natal, destacou Filomena Sintra.

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A composição é feita com “sal apanhado artesanalmente” nas salinas que circundam a localidade, certificado com Denominação de Origem Protegida (DOP), mas os visitantes também vão poder ver peças em “duas grandes artes que marcam a etnografia” local, como a cestaria e a empreita, realçou a autarca.

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“[…] Aproveitamos a quadra natalícia para valorizar as artes, a cestaria e a empreita”, afirmou, frisando que, além do presépio de sal, está também patente ao público uma recriação do nascimento de Jesus Cristo com figuras feitas em cana por um “novo artesão de Castro Marim”.

Questionada sobre as expectativas do município para o número de visitantes que o presépio de sal pode receber, desde domingo até ao seu encerramento, a 06 de janeiro, Filomena Sintra disse não ter presente os dados contabilizados no ano passado, nem ser isso que orgulha os criadores.

“[…] Há sempre uma tentação de comparar o número de peças deste ou aquele presépio e o número de visitantes. Não é isso que nos orgulha, o que nos orgulha é que, quem venha, tenha cada vez mais apreço por aquilo que é a nossa essência, os nossos produtos e diga: de facto estava ali um espaço diferente, com autenticidade”, argumentou.

Durante uma visita ao espaço, enquanto os criadores do presépio ainda davam os últimos passos na montagem das composições, a Lusa falou também com José Gonçalves, autor do presépio de sal, que disse ter este ano “mais artesãos e atividades de época”, como por exemplo a renda de bilro, o tratamento de azeitonas ou o processo de produção de lã.

Um oásis, mais árvores de palmeira e uma hospedagem são outros elementos do presépio, que tem cerca de 35 metros, 11 toneladas de sal, 1.000 figuras, fontes ou bonecos elétricos que recriam atividades, precisou José Gonçalves.

O autor do presépio de sal explicou que, para chegar ao resultado final, foi preciso criar a estrutura de madeira que suporta o sal e as composições e toda a parte elétrica que faz a iluminação e alimenta os movimentos das peças animadas, um trabalho feito pelos funcionários do município, destacou.

No final, José Gonçalves disse sentir-se satisfeito pelo ‘feedback’ que recebe dos visitantes, que veem poucos presépios de sal.

“Nós tentamos recriar o mais possível a realidade, usar, por exemplo, os bonecos todos com a mesma medida, não temos uns grandes, outros pequeninos, para fazer a recriação o mais fiel possível. E [os visitantes] gostam muito porque encontram bonecos, como nós temos, que são caros, mas são peças únicas, feitas em barro”, considerou.

Martinho Fernandes criou o presépio em cana, com figuras “à escala humana”, e contou à Lusa que “foi um desafio” responder ao repto lançado pela Junta de Freguesia para fazer uma recriação do nascimento de Jesus a partir desse material.

“Desconheço que se tenha feito alguma coisa do género com cana, cestaria sim. Telhados de casa ou outras coisas também, mas isto foi criado de raiz, inventado e improvisado”, salientou.

O jovem artesão mostrou-se muito satisfeito por seguir um ofício que “trabalha um material vivo” e que aprendeu de um mestre já falecido, António Gomes.

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