Embora o tabagismo seja normalmente associado a problemas de saúde, um estudo recente publicado no Gut revela um efeito surpreendente: fumar pode ter benefícios para pessoas com colite ulcerosa.
A descoberta está relacionada com a migração de bactérias da boca para o intestino.
Investigadores do RIKEN Center for Integrative Medical Sciences, no Japão, investigaram por que fumar parece ajudar alguns pacientes com colite ulcerosa, apesar de ser prejudicial a doentes com doença de Crohn — outra doença inflamatória intestinal (DII).
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O estudo mostrou que, nos fumadores, certas bactérias orais, como o Streptococcus, conseguem estabelecer-se na camada mucosa do intestino, algo que normalmente não acontece. Esse efeito é facilitado por níveis elevados de hidroquinona, um metabolito intestinal encontrado em fumadores, que cria condições para que as bactérias prosperem no cólon.
Segundo Hiroshi Ohno, líder da investigação: “Os nossos resultados indicam que a deslocação de bactérias da boca para o intestino, particularmente do género Streptococcus, e a subsequente resposta imunitária no intestino, é o mecanismo através do qual o tabaco ajuda a proteger contra a doença.”
O estudo explica ainda o paradoxo entre colite ulcerosa e doença de Crohn. Em modelos com ratos, a presença de bactérias orais no intestino ativou células imunitárias Th1, que nos doentes com colite ulcerosa ajudaram a reduzir a inflamação e aliviar sintomas. Já em pacientes com Crohn, onde a inflamação é mediada pelas próprias células Th1, o efeito foi contrário, agravando os sintomas.
Apesar dos resultados promissores, os investigadores não recomendam fumar como tratamento, mas acreditam que a descoberta proporciona uma compreensão mais profunda das doenças inflamatórias intestinais e poderá inspirar futuras terapias baseadas no microbioma intestinal.
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