Educação

Epidemiologistas avisam que só “vacina universal” pode evitar coronavírus no futuro

Notícias de Coimbra | 5 anos atrás em 19-02-2021

Apenas o desenvolvimento de uma “vacina universal” para os vários tipos de coronavírus, em que se inclui o causador da covid-19, poderá evitar futuras pandemias, alertaram hoje dois epidemiologistas em editorial na revista Science.

Segundo os cientistas Wayne Koff e Seth Berkley, os progressos alcançados no desenvolvimento de vacinas para a covid-19 têm “o potencial para acelerar bastante a identificação de antígenos-alvo comuns aos coronavírus”, usando-os no desenvolvimento de uma nova vacina, resistente aos vírus desta família existentes e possíveis mutações.

Apoiar a pesquisa neste sentido “deve ser um esforço mundial”, apelam os epidemiologistas, apontando que os custos da pandemia atual – entre 8.000 milhões e 16.000 milhões de dólares (6,6 mil milhões e 13,2 mil milhões de euros) – são cerca de “500 vezes superiores” aos de desenvolver uma vacina transversal.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

Os epidemiologistas alertam que “existem milhares” de coronavírus “capazes de infetar um grande número de animais” e que se podem transmitir a humanos.

“Há uma possibilidade crescente de que outros coronavírus saltem de uma espécie para outra”, nomeadamente devido à ocupação por humanos de habitats antes selvagens, onde os animais estavam “anteriomente isolados”, e também à maior mobilidade das pessoas, que facilita a propagação, referem.

Antes do vírus SARS-CoV-2, que causa a covid-19, outros vírus da mesma família causaram epidemias, nas últimas décadas, nomeadamente a SARS (2002) e o MERS-CoV (2012).

Embora já existam diversas vacinas para o SARS-CoV-2, desenvolvidas em tempo recorde, já foram também detetadas mutações do mesmo, incluindo pelo menos uma, a sul-africana, que dados preliminares indicam retirar eficácia às vacinas desenvolvidas no último ano.

Para Wayne Koff e Seth Berkley, “a criação de ferramentas para prevenir a próxima pandemia de coronavírus está ao nosso alcance e deve ser vista como uma prioridade de saúde global”.